April 13, 2007
April 11, 2007
OS VENDEDORES DE DOENÇAS
http://diplo.uol.com.br/2006-05,a1302
Artigo extraído de "Selling Sickness: How Drug Companies Are Turning Us All Into Patients, de Alan Cassels (pesquisador em política de medicamentos, universidade de Victoria, Canada), e Ray Moynihan (jornalista, especialista em Saúde, British Medical Journal, The Lancet, The New England Journal of Medicine).
Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley’s – fabricante e distribuidor de gomas de mascar –, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às... pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de “vender para todo mundo”. Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.
As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença – mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes.
A fabricação das “síndromes”
A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vidas mais longas, mais saudáveis e mais dinâmicas que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndomes graves, de tal modo que a timidez torna-se um “problema de ansiedade social”, e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada “problema disfórico pré-menstrual”. O simples fato de ser um sujeito “predisposto” a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si.
O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais famacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos – e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais.
De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado “A arte de catalogar um estado de saúde”, Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para “favorecer a criação” dos problemas médicos [1]. Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova “disfunção”. Entre as preferidas de Parry encontram-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual – uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe.
Médicos orientados por marqueteiros
Com uma rara franqueza, Perry explica a maneira como as empresas farmacêuticas não só catalogam e definem seus produtos com sucesso, tais como o Prozac ou o Viagra, mas definem e catalogam também as condições que criam o mercado para esses medicamentos.
Sob a liderança de marqueteiros da indústria farmacêutica, médicos especialistas e gurus como Perry sentam-se em volta de uma mesa para “criar novas idéias sobre doenças e estados de saúde”. O objetivo, diz ele, é fazer com que os clientes das empresas disponham, no mundo inteiro, “de uma nova maneira de pensar nessas coisas”. O objetivo é, sempre, estabelecer uma ligação entre o estado de saúde e o medicamento, de maneira a otimizar as vendas.
Para muitos, a idéia segundo a qual as multinacionais do setor ajudam a criar novas doenças parecerá estranha, mas ela é moeda corrente no meio da indústria. Destinado a seus diretores, um relatório recente de Business Insight mostrou que a capacidade de “criar mercados de novas doenças” traduz-se em vendas que chegam a bilhões de dólares. Uma das estratégias de melhor resultado, segundo esse relatório, consiste em mudar a maneira como as pessoas vêem suas disfunções sem gravidade. Elas devem ser “convencidas” de que “problemas até hoje aceitos no máximo como uma indisposição” são “dignos de uma intervenção médica”. Comemorando o sucesso do desenvolvimento de mercados lucrativos ligados a novos problemas da saúde, o relatório revelou grande otimismo em relação ao futuro financeiro da indústria farmacêutica: “Os próximos anos evidenciarão, de maneira privilegiada, a criação de doenças patrocinadas pela empresa”.
Dado o grande leque de disfunções possíveis, certamente é difícil traçar uma linha claramente definida entre as pessoas saudáveis e as doentes. As fronteiras que separam o “normal” do “anormal” são freqüentemente muito elásticas; elas podem variar drasticamente de um país para outro e evoluir ao longo do tempo. Mas o que se vê nitidamente é que, quanto mais se amplia o campo da definição de uma patologia, mais essa última atinge doentes em potencial, e mais vasto é o mercado para os fabricantes de pílulas e de cápsulas.
Em certas circunstâncias, os especialistas que dão as receitas são retribuídos pela indústria farmacêutica, cujo enriquecimento está ligado à forma como as prescrições de tratamentos forem feitas. Segundo esses especialistas, 90% dos norte-americanos idosos sofrem de um problema denominado “hipertensão arterial”; praticamente quase metade das norte-americanas são afetadas por uma disfunção sexual batizada FSD (disfunção sexual feminina); e mais de 40 milhões de norte-americanos deveriam ser acompanhados devido à sua taxa de colesterol alta. Com a ajuda dos meios de comunicação em busca de grandes manchetes, a última disfunção é constantemente anunciada como presente em grande parte da população: grave, mas sobretudo tratável, graças aos medicamentos. As vias alternativas para compreender e tratar dos problemas de saúde, ou para reduzir o número estimado de doentes, são sempre relegadas ao último plano, para satisfazer uma promoção frenética de medicamentos.
Quanto mais alienados, mais consumistas
A remuneração dos especialistas pela indústria não significa necessariamente tráfico de influências. Mas, aos olhos de um grande número de observadores, médicos e indústria farmacêutica mantêm laços extremamente estreitos.
As definições das doenças são ampliadas, mas as causas dessas pretensas disfunções são, ao contrário, descritas da forma mais sumária possível. No universo desse tipo de marketing, um problema maior de saúde, tal como as doenças cardiovasculares, pode ser considerado pelo foco estreito da taxa de colesterol ou da tensão arterial de uma pessoa. A prevenção das fraturas da bacia em idosos confunde-se com a obsessão pela densidade óssea das mulheres de meia-idade com boa saúde. A tristeza pessoal resulta de um desequilíbrio químico da serotonina no célebro.
O fato de se concentrar em uma parte faz perder de vista as questões mais importantes, às vezes em prejuízo dos indivíduos e da comunidade. Por exemplo: se o objetivo é a melhora da saúde, alguns dos milhões investidos em caros medicamentos para baixar o colesterol em pessoas saudáveis, podem ser utilizados, de modo mais eficaz, em campanhas contra o tabagismo, ou para promover a atividade física e melhorar o equilíbrio alimentar.
A venda de doenças é feita de acordo com várias técnicas de marketing, mas a mais difundida é a do medo. Para vender às mulheres o hormônio de reposição no período da menopausa, brande-se o medo da crise cardíaca. Para vender aos pais a idéia segundo a qual a menor depressão requer um tratamento pesado, alardeia-se o suicídio de jovens. Para vender os medicamentos para baixar o colesterol, fala-se da morte prematura. E, no entanto, ironicamente, os próprios medicamentos que são objeto de publicidade exacerbada às vezes causam os problemas que deveriam evitar.
O tratamento de reposição hormonal (THS) aumenta o risco de crise cardíaca entre as mulheres; os antidepressivos aparentemente aumentam o risco de pensamento suicida entre os jovens. Pelo menos, um dos famosos medicamentos para baixar o colesterol foi retirado do mercado porque havia causado a morte de “pacientes”. Em um dos casos mais graves, o medicamento considerado bom para tratar problemas intestinais banais causou tamanha constipação que os pacientes morreram. No entanto, neste e em outros casos, as autoridades nacionais de regulação parecem mais interessadas em proteger os lucros das empresas farmacêuticas do que a saúde pública.
A “medicalização” interesseira da vida
A flexibilização da regulação da publicidade no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, traduziu-se em um avanço sem precedentes do marketing farmacêutico dirigido a “toda e qualquer pessoa do mundo”. O público foi submetido, a partir de então, a uma média de dez ou mais mensagens publicitárias por dia. O lobby farmacêutico gostaria de impor o mesmo tipo de desregulamentação em outros lugares.
Há mais de trinta anos, um livre pensador de nome Ivan Illich deu o sinal de alerta, afirmando que a expansão do establishment médico estava prestes a “medicalizar” a própria vida, minando a capacidade das pessoas enfrentarem a realidade do sofrimento e da morte, e transformando um enorme número de cidadãos comuns em doentes. Ele criticava o sistema médico, “que pretende ter autoridade sobre as pessoas que ainda não estão doentes, sobre as pessoas de quem não se pode racionalmente esperar a cura, sobre as pessoas para quem os remédios receitados pelos médicos se revelam no mínimo tão eficazes quanto os oferecidos pelos tios e tias [2] ”.
Mais recentemente, Lynn Payer, uma redatora médica, descreveu um processo que denominou “a venda de doenças”: ou seja, o modo como os médicos e as empresas farmacêuticas ampliam sem necessidade as definições das doenças, de modo a receber mais pacientes e comercializar mais medicamentos [3]. Esses textos tornaram-se cada vez mais pertinentes, à medida que aumenta o rugido do marketing e que se consolidas as garras das multinacionais sobre o sistema de saúde.
(Tradução: Wanda Caldeira Brant) wbrant@globo.com
Bibliografia complementar:
* A revista médica PLoS Medecine traz, em seu número de abril de 2006, um importante dossiê sobre “A produção de doenças” – http://medicine.plosjournals.org/
* Na França, as revistas Pratiques (dirigida ao grande público) e Prescrire (destinada aos médicos) avaliam os medicamentos e trazem um olhar crítico sobre a definição das doenças.
*Jörg Blech, Les inventeurs de maladies. Manœuvres et manipulations de l’industrie pharmaceutique, Arles, Actes Sud, 2005.
* Philippe Pignarre, Comment la dépression est devenue une épidémie, Paris, Hachette-Littérature, col. Pluriel, 2003.
[1] Ler, de Vince Parry, “The art of branding a condition ”, Medical Marketing & Media, Londres, maio de 2003.
[2] Ler, de Ivan Illich, Némésis médicale, Paris, Seuil, 1975.
[3] Ler, de Lynn Payer, Disease-Mongers: How Doctors, Drug Companies, and Insurers are Making You Feel Sick, Nova York, John Wiley & Sons, 2002.
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Les nouvelles techniques publicitaires de l’industrie pharmaceutique
Apareceu na versão imprensa em francês do Le Monde Diplomatique, Édition imprimée — maio 2006 — Pag. 34 e 35
Alan Cassels est chercheur en politique des médicaments (université de Victoria, Canada).
Ray Moynihan est journaliste, spécialiste de la santé (British Medical Journal, The Lancet, The New England Journal of Medicine).
http://www.monde-diplomatique.fr/2006/05/CASSELS/13454
Pour vendre des médicaments, inventons des maladies
La méthode avait déjà fait la fortune du docteur Knock de Jules Romains : chaque bien-portant entrant dans son cabinet en ressortait malade, et prêt à débourser sans compter pour être guéri. A son image, ayant atteint les limites du marché des malades, certaines firmes pharmaceutiques se tournent désormais vers les bien-portants pour continuer à croître. Et emploient pour cela les techniques de publicité les plus avancées.
Par Alan Cassels et Ray Moynihan
Il y a une trentaine d’années, le dirigeant d’une des plus grosses firmes pharmaceutiques au monde tint des propos fort éclairants. Alors proche de la retraite, le très dynamique directeur de Merck, Henry Gadsden, confia au magazine Fortune son désespoir de voir le marché potentiel de sa société confiné aux seuls malades. Expliquant qu’il aurait préféré que Merck devînt une sorte de Wrigley – fabricant et distributeur de chewing-gums –, Gadsden déclara qu’il rêvait depuis longtemps de produire des médicaments destinés aux... bien-portants. Parce qu’alors Merck aurait la possibilité de « vendre à tout le monde ». Trois décennies plus tard, le rêve de feu Henri Gadsden est devenu réalité.
Les stratégies marketing des plus grosses firmes pharmaceutiques ciblent dorénavant les bien-portants de manière agressive. Les hauts et les bas de la vie de tous les jours sont devenus des troubles mentaux, des plaintes somme toute communes sont transformées en affections effrayantes, et de plus en plus de gens ordinaires sont métamorphosés en malades. Au moyen de campagnes de promotion, l’industrie pharmaceutique, qui pèse quelque 500 milliards de dollars, exploite nos peurs les plus profondes : de la mort, du délabrement physique et de la maladie – changeant ainsi littéralement ce qu’être humain signifie. Récompensés à juste titre quand ils sauvent des vies humaines et réduisent les souffrances, les géants pharmaceutiques ne se contentent plus de vendre à ceux qui en ont besoin. Pour la bonne et simple raison, bien connue de Wall Street, que dire aux bien-portants qu’ils sont malades rapporte gros.
Au moment où la majorité des habitants des pays développés jouissent de vies plus longues, plus saines et plus dynamiques que celles de leurs ancêtres, le rouleau compresseur des campagnes publicitaires ou de sensibilisation, rondement menées, transforment les bien-portants soucieux de leur santé en souffreteux soucieux tout court. Des problèmes mineurs sont dépeints comme autant d’affections graves, de telle sorte que la timidité devient un « trouble d’anxiété sociale », et la tension prémenstruelle, une maladie mentale appelée « trouble dysphorique prémenstruel ». Le simple fait d’être un sujet « à risque » susceptible de développer une pathologie devient une pathologie en soi.
L’épicentre de ce type de vente se situe aux Etats-Unis, terre d’accueil de nombreuses multinationales pharmaceutiques. Comptant moins de 5 % de la population mondiale, ce pays représente déjà près de 50 % du marché de la prescription de médicaments. Les dépenses de santé continuent à y grimper plus que n’importe où dans le monde, affichant une progression de presque 100 % en six ans – et ce, pas seulement parce que les prix des médicaments enregistrent des hausses drastiques, mais aussi parce que les médecins se sont mis à en prescrire de plus en plus.
Depuis son bureau situé au cœur de Manhattan, M. Vince Parry représente le nec plus ultra du marketing mondial. Expert en publicité, il se spécialise dorénavant dans la forme la plus sophistiquée de la vente de médicaments : il s’emploie, de concert avec les entreprises pharmaceutiques, à créer de nouvelles maladies. Dans un article étonnant intitulé « L’art de cataloguer un état de santé », M. Parry a récemment révélé les ficelles utilisées par ces firmes pour « favoriser la création » de troubles médicaux (1). Parfois, il s’agit d’un état de santé peu connu qui jouit d’un regain d’attention ; parfois, on redéfinit une maladie connue depuis longtemps en lui donnant un autre nom ; parfois, c’est un nouveau dysfonctionnement qui est créé ex nihilo. Parmi les préférés de M. Parry se trouvent la dysfonction érectile, le trouble du déficit de l’attention chez les adultes et le syndrome dysphorique prémenstruel déjà évoqué – tellement controversé que les chercheurs estiment qu’il n’existe pas.
Avec une rare franchise, M. Perry explique la manière dont les compagnies pharmaceutiques non seulement cataloguent et définissent leurs produits à succès tels que le Prozac ou le Viagra, mais cataloguent et définissent aussi les conditions créant le marché pour de tels médicaments.
Sous la houlette de responsables marketing de l’industrie pharmaceutique, des experts médicaux et des gourous comme M. Perry s’assoient autour d’une table pour « trouver de nouvelles idées concernant des maladies et des états de santé ». Le but, dit-il, est de faire en sorte que les clients des firmes dans le monde entier appréhendent ces choses d’une manière nouvelle. L’objectif restant, toujours, d’établir une liaison entre l’état de santé et le médicament, de manière à optimiser les ventes.
L’idée selon laquelle les multinationales du secteur aident à créer de nouvelles maladies semblera étrange à beaucoup ; elle est monnaie courante dans le milieu de l’industrie. Destiné à leurs dirigeants, un rapport récent de Business Insights témoigne ainsi que la capacité à « créer des marchés de nouvelles maladies » se traduit par des ventes se chiffrant en milliards de dollars. L’une des stratégies les plus performantes, d’après ce rapport, consiste à changer la façon dont les gens considèrent leurs affections sans gravité. Ils doivent être « convaincus » que « des problèmes acceptés tout au plus comme une gêne jusqu’à présent » sont, désormais, « dignes d’une intervention médicale ». Saluant le succès du développement de marchés profitables liés à de nouveaux troubles de la santé, le rapport affichait un bel optimisme quant à l’avenir financier de l’industrie pharmaceutique : « Les années à venir seront les témoins privilégiés de la création de maladies parrainée par l’entreprise. »
Il est certes difficile, étant donné le large éventail d’affections possibles, de tracer une ligne clairement définie entre les bien-portants et les malades. Les frontières qui séparent le « normal » de l’« anormal » sont souvent fort élastiques ; elles peuvent varier drastiquement d’un pays à un autre et évoluer au cours du temps. Mais ce qui ressort clairement, c’est que, plus on élargit la définition d’une pathologie, plus cette dernière touchera de malades potentiels, et plus vaste sera le marché pour les fabricants de pilules et de gélules.
Dans certaines circonstances, les experts médicaux qui rédigent les protocoles sont en même temps rétribués par l’industrie pharmaceutique, industrie qui s’enrichira selon que les protocoles de soins auront été écrits de telle ou telle façon. Selon ces experts, 90 % des Américains âgés souffriront d’un trouble appelé « hypertension artérielle » ; près de la moitié des Américaines sont affectées par un dysfonctionnement baptisé FSD (dysfonction sexuelle féminine) ; et plus de 40 millions d’Américains devraient être suivis du fait de leur important taux de cholestérol. Avec l’aide de médias à la recherche de gros titres, la toute dernière affection est régulièrement annoncée comme étant très largement présente dans la population, grave, mais surtout curable grâce aux médicaments. Les voies alternatives pour comprendre et soigner les problèmes de santé, de même que la réduction du nombre estimé de malades, sont souvent reléguées à l’arrière-plan, pour satisfaire une promotion frénétique des médicaments.
La rémunération des experts en espèces sonnantes et trébuchantes ne signifie pas forcément l’achat d’une influence ; mais, aux yeux de nombreux observateurs, médecins et industrie pharmaceutique entretiennent des liens trop étroits.
Si les définitions des maladies sont élargies, les causes de ces prétendues épidémies sont, en revanche, décrites aussi peu que possible. Dans l’univers de ce type de marketing, un problème de santé majeur, tel que les maladies cardio-vasculaires, peut être abordé par l’étroite lorgnette du taux de cholestérol ou de la tension artérielle d’une personne. La prévention des fractures de la hanche parmi les personnes âgées se confond avec l’obsession de la densité osseuse des femmes d’âge mûr en bonne santé. La détresse personnelle résulte largement d’un déséquilibre chimique de la sérotonine dans le cerveau.
Le fait de se concentrer sur une partie fait perdre de vue les enjeux plus importants, parfois au détriment des individus et de la communauté. Par exemple : si le but premier était l’amélioration de la santé, on pourrait utiliser de façon plus efficace quelques-uns des millions investis dans les coûteux anticholestérol destinés à des bien-portants, dans des campagnes de lutte contre le tabagisme, pour promouvoir l’activité physique et améliorer l’équilibre alimentaire.
La « vente » des maladies se fait selon plusieurs techniques de marketing, mais la plus répandue reste celle de la peur. Pour vendre aux femmes l’hormone de substitution au moment de la ménopause, on a joué sur la peur de la crise cardiaque. Pour vendre aux parents l’idée selon laquelle la plus petite dépression requiert un traitement lourd, on a joué sur la peur du suicide des jeunes. Pour vendre les anticholestérol sur prescription automatique, on a joué sur la peur d’une mort prématurée. Et pourtant, ironiquement, les médicaments qui font l’objet de battage causent parfois eux-mêmes les dommages qu’ils sont censés prévenir.
Le traitement hormonal de substitution (THS) accroît le risque de crise cardiaque chez les femmes, tandis que, semblerait-il, les antidépresseurs augmentent le risque de pensée suicidaire chez les jeunes. Au moins un des anticholestérol à succès a été retiré du marché parce qu’il avait entraîné le décès de « patients ». Dans l’un des cas les plus graves, le médicament pris pour soigner de banals problèmes intestinaux a occasionné une constipation telle que les malades en sont morts. Pourtant, dans ce cas comme dans bien d’autres, les autorités de régulation nationales semblent plus attachées à protéger les profits des compagnies pharmaceutiques que la santé publique.
L’assouplissement aux Etats-Unis de la régulation de la publicité à la fin des années 1990 s’est traduit par une attaque sans précédent du marketing pharmaceutique en direction de M. Tout-le-Monde, soumis dorénavant à une bonne dizaine ou plus de spots publicitaires par jour. Les téléspectateurs de Nouvelle-Zélande connaissent le même sort. Ailleurs, le lobby pharmaceutique voudrait imposer le même genre de dérégulation.
Il y a plus de trente ans, un franc-tireur du nom d’Ivan Illich tirait la sonnette d’alarme, affirmant que l’expansion de l’establishment médical était en train de « médicaliser » la vie elle-même, sapant la capacité des gens à affronter la réalité de la souffrance et de la mort, et transformant un nombre bien trop important de citoyens lambda en malades. Il critiquait le système médical « qui prétend avoir autorité sur les gens qui ne sont pas encore malades, sur les gens dont on ne peut raisonnablement pas s’attendre à ce qu’ils aillent mieux, sur les gens pour qui les remèdes des médecins se révèlent au moins aussi efficaces que ceux offerts par les oncles et tantes (2) ».
Plus récemment, une rédactrice médicale, Mme Lynn Payer, décrivait à son tour un processus qu’elle appelait la « vente des maladies » : c’est-à-dire la façon dont les médecins et les firmes pharmaceutiques élargissaient sans nécessité les définitions des affections de façon à recevoir plus de patients et à commercialiser plus de médicaments (3). Ces écrits sont devenus de plus en plus pertinents à mesure que s’amplifiait le rugissement du marketing et que se consolidait l’emprise des multinationales sur le système de santé.
Cet article est extrait de Selling Sickness. How Drug Companies Are Turning Us All Into Patients, Allen & Unwin, Crows Nest (Australie), 2005, de Alan Cassels et Ray Moynihan.
Alan Cassels: Chercheur en politique des médicaments (université de Victoria, Canada).
Ray Moynihan: Journaliste, spécialiste de la santé (British Medical Journal, The Lancet, The New England Journal of Medicine).
(1) Vince Parry, « The art of branding a condition », Medical Marketing & Media, Londres, mai 2003.
(2) Cf. Ivan Illich, Némésis médicale, Seuil, Paris, 1975.
(3) Lynn Payer, Disease-Mongers : How Doctors, Drug Companies, and Insurers Are Making You Feel Sick, John Wiley & Sons, New York, 1994.
Sources de documentation
La revue médicale PLoS Medicine propose, dans son numéro d’avril 2006, un important dossier sur « La fabrication des maladies ».
En France, les revues Pratiques (grand public) et Prescrire (destinée aux médecins) évaluent les médicaments et portent un regard critique sur la définition des maladies.
Jörg Blech, Les Inventeurs de maladies. Manœuvres et manipulations de l’industrie pharmaceutique, Actes Sud, Arles, 2005.
Philippe Pignarre, Comment la dépression est devenue une épidémie, Hachette Littératures, coll. « Pluriel », Paris, 2003.
Artigo extraído de "Selling Sickness: How Drug Companies Are Turning Us All Into Patients, de Alan Cassels (pesquisador em política de medicamentos, universidade de Victoria, Canada), e Ray Moynihan (jornalista, especialista em Saúde, British Medical Journal, The Lancet, The New England Journal of Medicine).
Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley’s – fabricante e distribuidor de gomas de mascar –, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às... pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de “vender para todo mundo”. Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.
As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença – mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes.
A fabricação das “síndromes”
A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vidas mais longas, mais saudáveis e mais dinâmicas que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndomes graves, de tal modo que a timidez torna-se um “problema de ansiedade social”, e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada “problema disfórico pré-menstrual”. O simples fato de ser um sujeito “predisposto” a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si.
O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais famacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos – e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais.
De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado “A arte de catalogar um estado de saúde”, Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para “favorecer a criação” dos problemas médicos [1]. Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova “disfunção”. Entre as preferidas de Parry encontram-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual – uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe.
Médicos orientados por marqueteiros
Com uma rara franqueza, Perry explica a maneira como as empresas farmacêuticas não só catalogam e definem seus produtos com sucesso, tais como o Prozac ou o Viagra, mas definem e catalogam também as condições que criam o mercado para esses medicamentos.
Sob a liderança de marqueteiros da indústria farmacêutica, médicos especialistas e gurus como Perry sentam-se em volta de uma mesa para “criar novas idéias sobre doenças e estados de saúde”. O objetivo, diz ele, é fazer com que os clientes das empresas disponham, no mundo inteiro, “de uma nova maneira de pensar nessas coisas”. O objetivo é, sempre, estabelecer uma ligação entre o estado de saúde e o medicamento, de maneira a otimizar as vendas.
Para muitos, a idéia segundo a qual as multinacionais do setor ajudam a criar novas doenças parecerá estranha, mas ela é moeda corrente no meio da indústria. Destinado a seus diretores, um relatório recente de Business Insight mostrou que a capacidade de “criar mercados de novas doenças” traduz-se em vendas que chegam a bilhões de dólares. Uma das estratégias de melhor resultado, segundo esse relatório, consiste em mudar a maneira como as pessoas vêem suas disfunções sem gravidade. Elas devem ser “convencidas” de que “problemas até hoje aceitos no máximo como uma indisposição” são “dignos de uma intervenção médica”. Comemorando o sucesso do desenvolvimento de mercados lucrativos ligados a novos problemas da saúde, o relatório revelou grande otimismo em relação ao futuro financeiro da indústria farmacêutica: “Os próximos anos evidenciarão, de maneira privilegiada, a criação de doenças patrocinadas pela empresa”.
Dado o grande leque de disfunções possíveis, certamente é difícil traçar uma linha claramente definida entre as pessoas saudáveis e as doentes. As fronteiras que separam o “normal” do “anormal” são freqüentemente muito elásticas; elas podem variar drasticamente de um país para outro e evoluir ao longo do tempo. Mas o que se vê nitidamente é que, quanto mais se amplia o campo da definição de uma patologia, mais essa última atinge doentes em potencial, e mais vasto é o mercado para os fabricantes de pílulas e de cápsulas.
Em certas circunstâncias, os especialistas que dão as receitas são retribuídos pela indústria farmacêutica, cujo enriquecimento está ligado à forma como as prescrições de tratamentos forem feitas. Segundo esses especialistas, 90% dos norte-americanos idosos sofrem de um problema denominado “hipertensão arterial”; praticamente quase metade das norte-americanas são afetadas por uma disfunção sexual batizada FSD (disfunção sexual feminina); e mais de 40 milhões de norte-americanos deveriam ser acompanhados devido à sua taxa de colesterol alta. Com a ajuda dos meios de comunicação em busca de grandes manchetes, a última disfunção é constantemente anunciada como presente em grande parte da população: grave, mas sobretudo tratável, graças aos medicamentos. As vias alternativas para compreender e tratar dos problemas de saúde, ou para reduzir o número estimado de doentes, são sempre relegadas ao último plano, para satisfazer uma promoção frenética de medicamentos.
Quanto mais alienados, mais consumistas
A remuneração dos especialistas pela indústria não significa necessariamente tráfico de influências. Mas, aos olhos de um grande número de observadores, médicos e indústria farmacêutica mantêm laços extremamente estreitos.
As definições das doenças são ampliadas, mas as causas dessas pretensas disfunções são, ao contrário, descritas da forma mais sumária possível. No universo desse tipo de marketing, um problema maior de saúde, tal como as doenças cardiovasculares, pode ser considerado pelo foco estreito da taxa de colesterol ou da tensão arterial de uma pessoa. A prevenção das fraturas da bacia em idosos confunde-se com a obsessão pela densidade óssea das mulheres de meia-idade com boa saúde. A tristeza pessoal resulta de um desequilíbrio químico da serotonina no célebro.
O fato de se concentrar em uma parte faz perder de vista as questões mais importantes, às vezes em prejuízo dos indivíduos e da comunidade. Por exemplo: se o objetivo é a melhora da saúde, alguns dos milhões investidos em caros medicamentos para baixar o colesterol em pessoas saudáveis, podem ser utilizados, de modo mais eficaz, em campanhas contra o tabagismo, ou para promover a atividade física e melhorar o equilíbrio alimentar.
A venda de doenças é feita de acordo com várias técnicas de marketing, mas a mais difundida é a do medo. Para vender às mulheres o hormônio de reposição no período da menopausa, brande-se o medo da crise cardíaca. Para vender aos pais a idéia segundo a qual a menor depressão requer um tratamento pesado, alardeia-se o suicídio de jovens. Para vender os medicamentos para baixar o colesterol, fala-se da morte prematura. E, no entanto, ironicamente, os próprios medicamentos que são objeto de publicidade exacerbada às vezes causam os problemas que deveriam evitar.
O tratamento de reposição hormonal (THS) aumenta o risco de crise cardíaca entre as mulheres; os antidepressivos aparentemente aumentam o risco de pensamento suicida entre os jovens. Pelo menos, um dos famosos medicamentos para baixar o colesterol foi retirado do mercado porque havia causado a morte de “pacientes”. Em um dos casos mais graves, o medicamento considerado bom para tratar problemas intestinais banais causou tamanha constipação que os pacientes morreram. No entanto, neste e em outros casos, as autoridades nacionais de regulação parecem mais interessadas em proteger os lucros das empresas farmacêuticas do que a saúde pública.
A “medicalização” interesseira da vida
A flexibilização da regulação da publicidade no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, traduziu-se em um avanço sem precedentes do marketing farmacêutico dirigido a “toda e qualquer pessoa do mundo”. O público foi submetido, a partir de então, a uma média de dez ou mais mensagens publicitárias por dia. O lobby farmacêutico gostaria de impor o mesmo tipo de desregulamentação em outros lugares.
Há mais de trinta anos, um livre pensador de nome Ivan Illich deu o sinal de alerta, afirmando que a expansão do establishment médico estava prestes a “medicalizar” a própria vida, minando a capacidade das pessoas enfrentarem a realidade do sofrimento e da morte, e transformando um enorme número de cidadãos comuns em doentes. Ele criticava o sistema médico, “que pretende ter autoridade sobre as pessoas que ainda não estão doentes, sobre as pessoas de quem não se pode racionalmente esperar a cura, sobre as pessoas para quem os remédios receitados pelos médicos se revelam no mínimo tão eficazes quanto os oferecidos pelos tios e tias [2] ”.
Mais recentemente, Lynn Payer, uma redatora médica, descreveu um processo que denominou “a venda de doenças”: ou seja, o modo como os médicos e as empresas farmacêuticas ampliam sem necessidade as definições das doenças, de modo a receber mais pacientes e comercializar mais medicamentos [3]. Esses textos tornaram-se cada vez mais pertinentes, à medida que aumenta o rugido do marketing e que se consolidas as garras das multinacionais sobre o sistema de saúde.
(Tradução: Wanda Caldeira Brant) wbrant@globo.com
Bibliografia complementar:
* A revista médica PLoS Medecine traz, em seu número de abril de 2006, um importante dossiê sobre “A produção de doenças” – http://medicine.plosjournals.org/
* Na França, as revistas Pratiques (dirigida ao grande público) e Prescrire (destinada aos médicos) avaliam os medicamentos e trazem um olhar crítico sobre a definição das doenças.
*Jörg Blech, Les inventeurs de maladies. Manœuvres et manipulations de l’industrie pharmaceutique, Arles, Actes Sud, 2005.
* Philippe Pignarre, Comment la dépression est devenue une épidémie, Paris, Hachette-Littérature, col. Pluriel, 2003.
[1] Ler, de Vince Parry, “The art of branding a condition ”, Medical Marketing & Media, Londres, maio de 2003.
[2] Ler, de Ivan Illich, Némésis médicale, Paris, Seuil, 1975.
[3] Ler, de Lynn Payer, Disease-Mongers: How Doctors, Drug Companies, and Insurers are Making You Feel Sick, Nova York, John Wiley & Sons, 2002.
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Les nouvelles techniques publicitaires de l’industrie pharmaceutique
Apareceu na versão imprensa em francês do Le Monde Diplomatique, Édition imprimée — maio 2006 — Pag. 34 e 35
Alan Cassels est chercheur en politique des médicaments (université de Victoria, Canada).
Ray Moynihan est journaliste, spécialiste de la santé (British Medical Journal, The Lancet, The New England Journal of Medicine).
http://www.monde-diplomatique.fr/2006/05/CASSELS/13454
Pour vendre des médicaments, inventons des maladies
La méthode avait déjà fait la fortune du docteur Knock de Jules Romains : chaque bien-portant entrant dans son cabinet en ressortait malade, et prêt à débourser sans compter pour être guéri. A son image, ayant atteint les limites du marché des malades, certaines firmes pharmaceutiques se tournent désormais vers les bien-portants pour continuer à croître. Et emploient pour cela les techniques de publicité les plus avancées.
Par Alan Cassels et Ray Moynihan
Il y a une trentaine d’années, le dirigeant d’une des plus grosses firmes pharmaceutiques au monde tint des propos fort éclairants. Alors proche de la retraite, le très dynamique directeur de Merck, Henry Gadsden, confia au magazine Fortune son désespoir de voir le marché potentiel de sa société confiné aux seuls malades. Expliquant qu’il aurait préféré que Merck devînt une sorte de Wrigley – fabricant et distributeur de chewing-gums –, Gadsden déclara qu’il rêvait depuis longtemps de produire des médicaments destinés aux... bien-portants. Parce qu’alors Merck aurait la possibilité de « vendre à tout le monde ». Trois décennies plus tard, le rêve de feu Henri Gadsden est devenu réalité.
Les stratégies marketing des plus grosses firmes pharmaceutiques ciblent dorénavant les bien-portants de manière agressive. Les hauts et les bas de la vie de tous les jours sont devenus des troubles mentaux, des plaintes somme toute communes sont transformées en affections effrayantes, et de plus en plus de gens ordinaires sont métamorphosés en malades. Au moyen de campagnes de promotion, l’industrie pharmaceutique, qui pèse quelque 500 milliards de dollars, exploite nos peurs les plus profondes : de la mort, du délabrement physique et de la maladie – changeant ainsi littéralement ce qu’être humain signifie. Récompensés à juste titre quand ils sauvent des vies humaines et réduisent les souffrances, les géants pharmaceutiques ne se contentent plus de vendre à ceux qui en ont besoin. Pour la bonne et simple raison, bien connue de Wall Street, que dire aux bien-portants qu’ils sont malades rapporte gros.
Au moment où la majorité des habitants des pays développés jouissent de vies plus longues, plus saines et plus dynamiques que celles de leurs ancêtres, le rouleau compresseur des campagnes publicitaires ou de sensibilisation, rondement menées, transforment les bien-portants soucieux de leur santé en souffreteux soucieux tout court. Des problèmes mineurs sont dépeints comme autant d’affections graves, de telle sorte que la timidité devient un « trouble d’anxiété sociale », et la tension prémenstruelle, une maladie mentale appelée « trouble dysphorique prémenstruel ». Le simple fait d’être un sujet « à risque » susceptible de développer une pathologie devient une pathologie en soi.
L’épicentre de ce type de vente se situe aux Etats-Unis, terre d’accueil de nombreuses multinationales pharmaceutiques. Comptant moins de 5 % de la population mondiale, ce pays représente déjà près de 50 % du marché de la prescription de médicaments. Les dépenses de santé continuent à y grimper plus que n’importe où dans le monde, affichant une progression de presque 100 % en six ans – et ce, pas seulement parce que les prix des médicaments enregistrent des hausses drastiques, mais aussi parce que les médecins se sont mis à en prescrire de plus en plus.
Depuis son bureau situé au cœur de Manhattan, M. Vince Parry représente le nec plus ultra du marketing mondial. Expert en publicité, il se spécialise dorénavant dans la forme la plus sophistiquée de la vente de médicaments : il s’emploie, de concert avec les entreprises pharmaceutiques, à créer de nouvelles maladies. Dans un article étonnant intitulé « L’art de cataloguer un état de santé », M. Parry a récemment révélé les ficelles utilisées par ces firmes pour « favoriser la création » de troubles médicaux (1). Parfois, il s’agit d’un état de santé peu connu qui jouit d’un regain d’attention ; parfois, on redéfinit une maladie connue depuis longtemps en lui donnant un autre nom ; parfois, c’est un nouveau dysfonctionnement qui est créé ex nihilo. Parmi les préférés de M. Parry se trouvent la dysfonction érectile, le trouble du déficit de l’attention chez les adultes et le syndrome dysphorique prémenstruel déjà évoqué – tellement controversé que les chercheurs estiment qu’il n’existe pas.
Avec une rare franchise, M. Perry explique la manière dont les compagnies pharmaceutiques non seulement cataloguent et définissent leurs produits à succès tels que le Prozac ou le Viagra, mais cataloguent et définissent aussi les conditions créant le marché pour de tels médicaments.
Sous la houlette de responsables marketing de l’industrie pharmaceutique, des experts médicaux et des gourous comme M. Perry s’assoient autour d’une table pour « trouver de nouvelles idées concernant des maladies et des états de santé ». Le but, dit-il, est de faire en sorte que les clients des firmes dans le monde entier appréhendent ces choses d’une manière nouvelle. L’objectif restant, toujours, d’établir une liaison entre l’état de santé et le médicament, de manière à optimiser les ventes.
L’idée selon laquelle les multinationales du secteur aident à créer de nouvelles maladies semblera étrange à beaucoup ; elle est monnaie courante dans le milieu de l’industrie. Destiné à leurs dirigeants, un rapport récent de Business Insights témoigne ainsi que la capacité à « créer des marchés de nouvelles maladies » se traduit par des ventes se chiffrant en milliards de dollars. L’une des stratégies les plus performantes, d’après ce rapport, consiste à changer la façon dont les gens considèrent leurs affections sans gravité. Ils doivent être « convaincus » que « des problèmes acceptés tout au plus comme une gêne jusqu’à présent » sont, désormais, « dignes d’une intervention médicale ». Saluant le succès du développement de marchés profitables liés à de nouveaux troubles de la santé, le rapport affichait un bel optimisme quant à l’avenir financier de l’industrie pharmaceutique : « Les années à venir seront les témoins privilégiés de la création de maladies parrainée par l’entreprise. »
Il est certes difficile, étant donné le large éventail d’affections possibles, de tracer une ligne clairement définie entre les bien-portants et les malades. Les frontières qui séparent le « normal » de l’« anormal » sont souvent fort élastiques ; elles peuvent varier drastiquement d’un pays à un autre et évoluer au cours du temps. Mais ce qui ressort clairement, c’est que, plus on élargit la définition d’une pathologie, plus cette dernière touchera de malades potentiels, et plus vaste sera le marché pour les fabricants de pilules et de gélules.
Dans certaines circonstances, les experts médicaux qui rédigent les protocoles sont en même temps rétribués par l’industrie pharmaceutique, industrie qui s’enrichira selon que les protocoles de soins auront été écrits de telle ou telle façon. Selon ces experts, 90 % des Américains âgés souffriront d’un trouble appelé « hypertension artérielle » ; près de la moitié des Américaines sont affectées par un dysfonctionnement baptisé FSD (dysfonction sexuelle féminine) ; et plus de 40 millions d’Américains devraient être suivis du fait de leur important taux de cholestérol. Avec l’aide de médias à la recherche de gros titres, la toute dernière affection est régulièrement annoncée comme étant très largement présente dans la population, grave, mais surtout curable grâce aux médicaments. Les voies alternatives pour comprendre et soigner les problèmes de santé, de même que la réduction du nombre estimé de malades, sont souvent reléguées à l’arrière-plan, pour satisfaire une promotion frénétique des médicaments.
La rémunération des experts en espèces sonnantes et trébuchantes ne signifie pas forcément l’achat d’une influence ; mais, aux yeux de nombreux observateurs, médecins et industrie pharmaceutique entretiennent des liens trop étroits.
Si les définitions des maladies sont élargies, les causes de ces prétendues épidémies sont, en revanche, décrites aussi peu que possible. Dans l’univers de ce type de marketing, un problème de santé majeur, tel que les maladies cardio-vasculaires, peut être abordé par l’étroite lorgnette du taux de cholestérol ou de la tension artérielle d’une personne. La prévention des fractures de la hanche parmi les personnes âgées se confond avec l’obsession de la densité osseuse des femmes d’âge mûr en bonne santé. La détresse personnelle résulte largement d’un déséquilibre chimique de la sérotonine dans le cerveau.
Le fait de se concentrer sur une partie fait perdre de vue les enjeux plus importants, parfois au détriment des individus et de la communauté. Par exemple : si le but premier était l’amélioration de la santé, on pourrait utiliser de façon plus efficace quelques-uns des millions investis dans les coûteux anticholestérol destinés à des bien-portants, dans des campagnes de lutte contre le tabagisme, pour promouvoir l’activité physique et améliorer l’équilibre alimentaire.
La « vente » des maladies se fait selon plusieurs techniques de marketing, mais la plus répandue reste celle de la peur. Pour vendre aux femmes l’hormone de substitution au moment de la ménopause, on a joué sur la peur de la crise cardiaque. Pour vendre aux parents l’idée selon laquelle la plus petite dépression requiert un traitement lourd, on a joué sur la peur du suicide des jeunes. Pour vendre les anticholestérol sur prescription automatique, on a joué sur la peur d’une mort prématurée. Et pourtant, ironiquement, les médicaments qui font l’objet de battage causent parfois eux-mêmes les dommages qu’ils sont censés prévenir.
Le traitement hormonal de substitution (THS) accroît le risque de crise cardiaque chez les femmes, tandis que, semblerait-il, les antidépresseurs augmentent le risque de pensée suicidaire chez les jeunes. Au moins un des anticholestérol à succès a été retiré du marché parce qu’il avait entraîné le décès de « patients ». Dans l’un des cas les plus graves, le médicament pris pour soigner de banals problèmes intestinaux a occasionné une constipation telle que les malades en sont morts. Pourtant, dans ce cas comme dans bien d’autres, les autorités de régulation nationales semblent plus attachées à protéger les profits des compagnies pharmaceutiques que la santé publique.
L’assouplissement aux Etats-Unis de la régulation de la publicité à la fin des années 1990 s’est traduit par une attaque sans précédent du marketing pharmaceutique en direction de M. Tout-le-Monde, soumis dorénavant à une bonne dizaine ou plus de spots publicitaires par jour. Les téléspectateurs de Nouvelle-Zélande connaissent le même sort. Ailleurs, le lobby pharmaceutique voudrait imposer le même genre de dérégulation.
Il y a plus de trente ans, un franc-tireur du nom d’Ivan Illich tirait la sonnette d’alarme, affirmant que l’expansion de l’establishment médical était en train de « médicaliser » la vie elle-même, sapant la capacité des gens à affronter la réalité de la souffrance et de la mort, et transformant un nombre bien trop important de citoyens lambda en malades. Il critiquait le système médical « qui prétend avoir autorité sur les gens qui ne sont pas encore malades, sur les gens dont on ne peut raisonnablement pas s’attendre à ce qu’ils aillent mieux, sur les gens pour qui les remèdes des médecins se révèlent au moins aussi efficaces que ceux offerts par les oncles et tantes (2) ».
Plus récemment, une rédactrice médicale, Mme Lynn Payer, décrivait à son tour un processus qu’elle appelait la « vente des maladies » : c’est-à-dire la façon dont les médecins et les firmes pharmaceutiques élargissaient sans nécessité les définitions des affections de façon à recevoir plus de patients et à commercialiser plus de médicaments (3). Ces écrits sont devenus de plus en plus pertinents à mesure que s’amplifiait le rugissement du marketing et que se consolidait l’emprise des multinationales sur le système de santé.
Cet article est extrait de Selling Sickness. How Drug Companies Are Turning Us All Into Patients, Allen & Unwin, Crows Nest (Australie), 2005, de Alan Cassels et Ray Moynihan.
Alan Cassels: Chercheur en politique des médicaments (université de Victoria, Canada).
Ray Moynihan: Journaliste, spécialiste de la santé (British Medical Journal, The Lancet, The New England Journal of Medicine).
(1) Vince Parry, « The art of branding a condition », Medical Marketing & Media, Londres, mai 2003.
(2) Cf. Ivan Illich, Némésis médicale, Seuil, Paris, 1975.
(3) Lynn Payer, Disease-Mongers : How Doctors, Drug Companies, and Insurers Are Making You Feel Sick, John Wiley & Sons, New York, 1994.
Sources de documentation
La revue médicale PLoS Medicine propose, dans son numéro d’avril 2006, un important dossier sur « La fabrication des maladies ».
En France, les revues Pratiques (grand public) et Prescrire (destinée aux médecins) évaluent les médicaments et portent un regard critique sur la définition des maladies.
Jörg Blech, Les Inventeurs de maladies. Manœuvres et manipulations de l’industrie pharmaceutique, Actes Sud, Arles, 2005.
Philippe Pignarre, Comment la dépression est devenue une épidémie, Hachette Littératures, coll. « Pluriel », Paris, 2003.
Já ouviram falar em auto-hemoterapia?
Existe um DVD que explica a técnica, e q está disponível no YouTube e na página embaixo.
Veja também em Yahoo!Respostas:
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061017100723AAad8d9
(O que é Auto-hemoterapia? Como ela atinge nosso organismo?Há riscos? Para quem é indicada?).
O vídeo com a entrevista com so Dr.Luiz Moura está disponível na internet (Youtube) no site: http://www.orientacoesmedicas.com.br/auto_hemoterapia.asp ( é longo, tem cerca de duas horas e meia - mas está dividido em 5 etapas).
Vc pode tbém fazer uma pesquisa no YouTube, procurando por "Dr. Luis Moura Hemoterapia". Vc deve chegar numa página deste tipo:
http://www.youtube.com/results?search_type=search_videos&search_query=C%C3%A2ncer%20AIDS%20Auto%20Hemoterapia%20medicina%20complementar%20dr%20luiz%20moura%20sangue%20macrofagos%20depress%C3%A3o%20p%C3%BArpura&search_sort=relevance&search_category=0&page=2
"Atenção: para agendar consulta com o Dr. Luiz Moura há uma espera de aproximadamente 6 meses. Como a quantidade de ligações é muito grande, dificilmente será possível agendar por telefone. Rua: Conde de Bonfin, 377, sala 803, Tijuca, RJ(perto do metrô Saenz Peña). Tel: (0xx21) 2572-5902 - (0xx21)8817-6012: Janilda (secretária).".
Mas p/ fazer a auto-hemoterpia basta a ajuda de qualquer pessoa com um curso de enfermagem q pode aplicar a hemoterapia, pois para isso apenas é necessario saber retirar sangue da veia e injeta-lo no musculo do braço ou nadega como qualquer outra vacina. Veja o video q está grátis na web, e participe de foruns sobre o assunto.
"Embora quase não se escute falar desta técnica, ela é bastante antiga. Em 1911 F. Ravaut descreve seu emprego em diversas doenças infecciosas, especialmente na febre tifóide e dermatoses. Era usada também em certos casos de asma, urticária e estados anafiláticos.
A mesma técnica é citada pelo Dr. Leopoldo Cea na página 37 do “Dicionário de Términos Y Expressiones Hematológica” em 1941. E no mesmo ano H. DOUSSET afirma ser útil em certos casos para dessensibilizações.
Podemos encontrar referências (Auto-hemotherapy) na 25ª edição - 1976 - pág 129 do Dicionário Médico Stedman. E em 1977 no Index Clínico de Alain Blacove Belair. O professor Jesse Teixeira provou que o S.R.E (sistema reticulo endotelial) é ativado pela auto-hemoterapia em um trabalho publicado e premiado no mês de Março de 1940 na Revista Brasil Cirúrgico. O experimento foi realizado com a utilização de cantárida na coxa do paciente e feita a contagem dos macrófagos antes e após a auto-hemoterapia. A taxa de 5% aumentava para 22% após 8 horas, mantendo-se assim por 5 dias e declinando para 5% após 7 dias. É um recurso terapêutico de baixo custo, pois consiste em retirar o sangue da veia do paciente e aplicar no músculo. A quantidade varia de 5ml à 20ml, dependendo da gravidade da doença a ser tratada. O sangue (tecido orgânico) em contato com o músculo (tecido extra-vascular), desencadeia uma rejeição, e isso estimula o sistema reticulo endotelial. A medula óssea produz monócitos que se dirigem as tecidos orgânicos onde recebem o nome de macrófagos. Estes se quadruplicam em todo o organismo.
Está indicado nas doenças infecciosas, alérgicas, auto-imunes, e os corpos estranhos como os cistos ovarianos, miomas, as obstruções de vasos sangüíneos.
Outros links sobre o assunto:
TRABALHOS PUBLICADOS
YAHOO-GRUPOS AUTO-HEMOTERAPIA
Veja também em Yahoo!Respostas:
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061017100723AAad8d9
(O que é Auto-hemoterapia? Como ela atinge nosso organismo?Há riscos? Para quem é indicada?).
O vídeo com a entrevista com so Dr.Luiz Moura está disponível na internet (Youtube) no site: http://www.orientacoesmedicas.com.br/auto_hemoterapia.asp ( é longo, tem cerca de duas horas e meia - mas está dividido em 5 etapas).
Vc pode tbém fazer uma pesquisa no YouTube, procurando por "Dr. Luis Moura Hemoterapia". Vc deve chegar numa página deste tipo:
http://www.youtube.com/results?search_type=search_videos&search_query=C%C3%A2ncer%20AIDS%20Auto%20Hemoterapia%20medicina%20complementar%20dr%20luiz%20moura%20sangue%20macrofagos%20depress%C3%A3o%20p%C3%BArpura&search_sort=relevance&search_category=0&page=2
"Atenção: para agendar consulta com o Dr. Luiz Moura há uma espera de aproximadamente 6 meses. Como a quantidade de ligações é muito grande, dificilmente será possível agendar por telefone. Rua: Conde de Bonfin, 377, sala 803, Tijuca, RJ(perto do metrô Saenz Peña). Tel: (0xx21) 2572-5902 - (0xx21)8817-6012: Janilda (secretária).".
Mas p/ fazer a auto-hemoterpia basta a ajuda de qualquer pessoa com um curso de enfermagem q pode aplicar a hemoterapia, pois para isso apenas é necessario saber retirar sangue da veia e injeta-lo no musculo do braço ou nadega como qualquer outra vacina. Veja o video q está grátis na web, e participe de foruns sobre o assunto.
"Embora quase não se escute falar desta técnica, ela é bastante antiga. Em 1911 F. Ravaut descreve seu emprego em diversas doenças infecciosas, especialmente na febre tifóide e dermatoses. Era usada também em certos casos de asma, urticária e estados anafiláticos.
A mesma técnica é citada pelo Dr. Leopoldo Cea na página 37 do “Dicionário de Términos Y Expressiones Hematológica” em 1941. E no mesmo ano H. DOUSSET afirma ser útil em certos casos para dessensibilizações.
Podemos encontrar referências (Auto-hemotherapy) na 25ª edição - 1976 - pág 129 do Dicionário Médico Stedman. E em 1977 no Index Clínico de Alain Blacove Belair. O professor Jesse Teixeira provou que o S.R.E (sistema reticulo endotelial) é ativado pela auto-hemoterapia em um trabalho publicado e premiado no mês de Março de 1940 na Revista Brasil Cirúrgico. O experimento foi realizado com a utilização de cantárida na coxa do paciente e feita a contagem dos macrófagos antes e após a auto-hemoterapia. A taxa de 5% aumentava para 22% após 8 horas, mantendo-se assim por 5 dias e declinando para 5% após 7 dias. É um recurso terapêutico de baixo custo, pois consiste em retirar o sangue da veia do paciente e aplicar no músculo. A quantidade varia de 5ml à 20ml, dependendo da gravidade da doença a ser tratada. O sangue (tecido orgânico) em contato com o músculo (tecido extra-vascular), desencadeia uma rejeição, e isso estimula o sistema reticulo endotelial. A medula óssea produz monócitos que se dirigem as tecidos orgânicos onde recebem o nome de macrófagos. Estes se quadruplicam em todo o organismo.
Está indicado nas doenças infecciosas, alérgicas, auto-imunes, e os corpos estranhos como os cistos ovarianos, miomas, as obstruções de vasos sangüíneos.
Outros links sobre o assunto:
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April 09, 2007
O fantasma imaginário
Foto 'gentilmente' surrupiada por mim deste site . A fotografia, de autoria de Mr. Robin E. Owen, retrata o grupo que fez parte do experimento da The Toronto Society for Psychical Research sobre como criar um fantasma; nela vemos Iris M. Owen (esquerda) e os outros membros do grupo, em Toronto (1973-75).Outro dia eu assisti um programa na televisão no qual falavam de um experimento sobre Phillip, um fantasma imaginário. Não me lembro do nome da emissão, acho que era Hantise, uma destas emissões aonde aparecem histórias de pesquisas pseudo-científicas sobre fantasmas, mas o caso apresentado foi sobre um experimento interessante feito nos anos 70 por A.R.G. Owen, falecido em 2003, e sua esposa, Iris M. Owen. Philip, The Imaginary Ghost é um documentário de 15 minutos feito sobre este experimento e que não se encontra sur internet, eu apenas vi extratos do documentário no programa de TV. Pelo o que entendi, nos anos 70 podia-se conseguir cópias do documentário com uma compagnia de Toronto, George Ritter Films Ltd., mas hoje em dia esta compagnia não existe mais.
Muitos pesquisadores de paranormalidade suspeitam que as manifestações de espíritos sejam produtos da mente humana. Para testar esta idéia, uma pesquisa foi feito, no início dos anos 70, pela Sociedade de Pesquisas Físicas de Toronto (The Toronto Society for Psychical Research (TSPR), à fim de saber se eles poderiam criar um fantasma. A intenção do experimento era p/ saber se um fantasma imaginado e inventado de todas as peças poderia se manifestar através dos esforços concentrados de um grupo de pessoas.
O projeto foi o seguinte: reunir, sob a supervisão do Dr. A.R.G. Owen e tendo o psicólogo Joel Whitton como observador, um grupo de 8 pessoas que não tinham nenhum don mediúnico, para ciriarem juntos um fantasma com quem eles poderiam se comunicar e criar fenômenos físicos.
A primeira tarefa do grupo foi criar a personalidade e a biografia do espírito que chamaram de Philip Aylesford; com a ajuda de um desenho do suposto fantasma, criado por um artista do grupo, foram fortalecendo de pouco em pouco a imagem e a vida de Philip em suas mentes.
Em Setembro 1972, o grupo começou a discutir a vida de Philip como um ser real, todos tentando visualizar, à cada encontro de 1 vez por semana, a “alucinação coletiva” em detalhes. Durante 1 ano não houve resultados, alguns clamando sentir uma ‘presença’, mas nenhuma comunicação com Philip. Então mudaram de tática e começaram a fabricar os encontros semanais como um ritual e com a atmosfera clássica de sessões espíritas conhecidas na época: luz branda, sentados em volta de uma mesa, cantando orações e rodeados de imagens e objetos do período em que o fantasma supostamente viveu.
Durante uma tarde, Philip comunicou-se pela primeira vez através de batidas distintas na mesa, e logo começou a responder as questões do grupo. Começaram assim uma série de fenômenos que foram filmados mas que não puderam ser explicados cientificamente, como movimentos e levitação da mesa, que chegava mesmo a ‘dançar’ sobre uma perna só (a mesa evidentemente –rsos…).
As conclusões possíveis tiradas do experimento foram as seguintes :
-O experimento prova que os espíritos realmente não existem, eles estariam somente em nossas mentes.
-Nosso inconsciente poderia ser o responsável por este tipo de fenômeno, mas, de verdade, não se pode provar que os espíritos não existem.
-Mesmo se Philip tenha sido completamente inventado, o grupo de Owen poderia ter realmente conseguido contatar o mundo dos espíritos e um espírito brincalhão aproveitou a oportunidade p/ atuar como Philip.
-Em todos os casos, as experiências provaram que os fenômenos paranormais são reais.
Psychic Mysteries Of The North - A.R.G Owen (c) 1975
Conjuring Up Philip - Iris Owen and Margaret Sparrow (c) 1976
Into The Unknown - Will Bradbury (c) 1981
The Survival Research Institute of Canada
The Philip Experiment
K.
Wings...and Huevos Revueltos
http://montrealswinds.blogspot.com
Copyright©k.s. design, 2005. All rights reserved.
April 02, 2007
Meu tenebroso e indomável heroi, no filme "Immortel", de Enki Bilal
Em setembro 2005, escrevi um post p/ falar do filme Immortel, de Enki Bilal. Como foi escrito em francês, e que me pediram agora p/ traduzir, aí vai um novo post em português:
Sempre fui hipnotizada pelo mundo mágico das HQ. Socialmente selvagem, no final da infância e da adolescência, havia entretanto um grande número de meninos que vinham tocar a campainha na minha casa, interessados pela minha coleção de heróis. Partilhávamos o mesmo interesse por este mundo que, ao contrário do que a maior parte dos pais diziam na época, não representava um passaporte p/ a ignorância. Muito aprendi, em termos de cultura geral, através destas histórias mas o mais importante era que as HQ representavam p/ mim um momento de catarse, única ocasião aonde eu podia deixar minha imaginação vagar livre de obstáculos. E com eles, os personagens, eu podia atravessar universos surreais e destituídos de toda a lógica que o mundo real à minha volta teimava em me obrigar à atravessar.
Amante impenitente dos irmãos Grimm (por causa deles levei surras homéricas...) e embora tenha relido inúmeras vezes os mesmos livros já alquebrados da minha vizinha Magda, por falta de outros eu relia tbém a Bíblia -livro cheio de recitos mágicos, não duvidem, a bíblia é um poço de danações profundas e edificantes p/ quem tem o vício da leitura!- Pelo único prazer de ler histórias, creio que, efectivamente, li o antigo testamento integral aos nove anos! Se tivessem me perguntado, na época, eu teria podido descrever as gerações dos reis de Israel, as guerras, os pecados e os amores, sobretudo do rei Davi, sem esquecer a loucura de Absalão, a revolta de Tamar, a beleza e a inteligência da rainha de Sabah, a sabedoria de Salomão... enfim, um mundo sem fim de nascimentos, vidas e mortes... E o amor e a vingança deste deus que era chamado, lembro-me bem, de o Senhor dos Exércitos!
Em todo caso, a minha única porta de saída p/ o mundo triste em que eu vivia era, em uma certa época, os heróis Marvell e a minha coleção de Mitologia Greco-Romana, da editora Abril. Únicos tipos de leitura que eu podia pagar -mesmo a coleção de Mitologia eu não pude continuar e parei no número 30! Até hoje eu lamento isso!!- naquele tempo. Eram tempos de vaca magra e de ditadura -morávamos em uma cidade conhecida como O Açougue, por causa do quartel das Forças Armadas-. As histórias chegavam nas bancas de duas em duas semanas, ou mais, e os que não tinham um pai rico deveriam escolher só uma história e trocar após leitura, mas sempre guardavámos os melhores exemplares. Nesta época, aprendi muita coisa, entre elas uma das forças do budismo, o despreendimento; outra coisa foi apreciar no seu justo valor as belas coisas que nos rodeiam, como os livros, não somente em forma de conhecimento mas tbém como objeto de beleza e sensualidade.
Adolescente, fiquei deslumbrada quando o meu velho Batman se tornou de repente um herói atormentado e existentialista, cercado desta sombra tenebrosa que nos seduzia à todos e que só em 2005 foi realmente personificado no cinema através do filme Batman Begins. Gostei tanto daquela voz profunda de Christian Bale que caracterizava tão bem o meu heroi em todo seu explendor!
O heroi existencialista que observava o mundo do alto das noites frias de Gothan, como um anjo dilacerado de dor e penumbras, foi demais para o meu pobre coração já abimado e repleto de eternas súplicas de revoltas; ele passou a ser o pássaro negro que eu carregava sobre os meus ombros cansados e com quem eu atravessava o outro lado do oceano para poder chegar à ilha dos meus sonhos.
Este post foi escrito p/ explicar porque adorei a poesia de "Immortel", filme de Enki Bilal, adaptado de sua HQ La Foire aux Immortels; ela faz parte de uma trilogia, juntamente com La Femme Piège e Froid Équateur. Foi, um dos primeiros entre pouquíssimos filmes no mundo inteiro, filmado inteiramente em "digital backlot" (atores foram filmados na frente de um blue- and green-screens e o fundo foi acrescentado na post-production, uma técnica sómente usada na época pela TV, video e videogames). P/ quem curte histórias inteligentes e cheias de mistério, existencialismo e fantasia, além é claro, que gosta de ser seduzido por um design sonoro mágico e que nos permite de aprofundar na fantasia/filosofia de um complexo conceito de humanidade/mito/amor e eternidade, eu recomendo este filme.
Confiram um trailer e o site oficial.
March 29, 2007
O filme "300"

O ridículo politicamente correto da nossa atualidade querendo destruir a criatividade e a fantasia, e mesmo a realidade da História.
Sou fã de HQ, BD, graphic novels, gibi, etc. Sou fã disso tudo, e p/ completar, eu já tinha gostado de 2 filmes que foram adaptados e têm uma estética bem próxima das HQ: Sin City, baseado na obra gráfica homônia de Frank Miller, dirigido pelo próprio Miller e por Robert Rodriguez; e O Imortal, escrito e realizado por Enki Bilal.
Frank Miller também escreveu "300", HQ adaptada p/ o cinema com direção de Zack Snyder e no qual Miller também participa como produtor executivo. Faz semanas que assisti o filme "300", mas não tinha tido tempo de escrever a minha opinião. Agora, aí vai ela:
Nunca pensei que eu fosse escrever sobre um filme de guerra, mas assim que vi a estética eu sabia que teria que assistí-lo, porque o que eu supunha é bem real: não é simplesmente um "filme de guerra", embora a hemoglobina seja omnipresente, e mesmo tendo cenas duras e eu fechado várias vezes os olhos e me encolhido na poltrona, 300 permanece um filme que marca pela inovação e criatividade técnica.
Mas está generando debates apaixonados dos prós e contras.
Mas está generando debates apaixonados dos prós e contras.
Bom, o filme em si é inspirado em fatos históricos, a famosa "Batalha das Termópilas", ocorrida em 480 a.C., episódio também conhecido como "Os 300 de Esparta". O famoso episódio histórico do desfiladeiro das Termópilas embalou meus sonhos de adolescente, primeiro porque história é uma matéria que me interessa, tanto quanto estória, mas sobretudo pelas características da sociedade Espartana, pelo respeito q eles tinham pelas mulheres e pelas proezas de Leônidas, o "Filho do Leão". O "Filho do Leão" sempre me seduziu, tanto quanto Ricardo Coração de Leão, o filho de Alienor d'Aquitânia. A sedução vem em parte pelos feitos cantados em versos e prosas através dos séculos e o romantismo que a forca vibratoria de tais nomes insufla em ardor e fantasia. Sem mesmo se dar conta do fato, alguns amigos meus diriam, como já disseram, que o fato de admirar as caracterísitcias de um personagem masculino equivaleria à uma "necessidade de se ter um pênis". Face à este eco de Freud, eu respondo: "Mentira Mentira!" da mesma forma que Hamlet grita: "Shame Shame!". Pois eu sempre quiz ter tracos que eu admiro em muita gente e entre eles Leônidas, Ricardo Coração de Leão, Alienor d'Aquitânia, Cleópatra, Rainha de Sabá, e sobretudo Penthesilea, a célebre rainha das amazonas, depois q eu assisti uma peca de teatro escrita por Heinrich von Kleist, c textos de Marina Tsvétaeva, e maravilhosamente interpretada por Carmen Jolin, sobre os amores e dramas de Penthesilea e Aquiles.
A história
Em resumo, depois de ter ouvido e lido críticas vindas de pessoas q nunca tiveram a curiosidade de procurar pelas fontes históricas, eu resumo aqui um pouco do contexto do filme: em 499 a.C., o imperador Persa Dario sentindo-se numa posição de força envia os seus embaixadores às cidades da Grécia continental, a fim de submetê-las ao seu jugo, mas apenas a Macedónia e a Tessália se declararam vassalas da Pérsia. Inicia assim o conflito aberto entre Persas e Helenos, aonde Dario é derrotado. Xerxes, seu filho, subira ao trono em 485 a.C. com a mesma intenção de subjulgar a Grécia mas as cidades-cstados Gregas decidiram, em reação do perigo comum, pôr de lado as suas divergências tradicionais e formaram uma Liga, sob o comando de Leônidas, proclamando a reconciliação geral e declarando guerra à Pérsia (Leônidas era o chefe das tropas Espartanas, potência militar dominante na antiguidade e aonde homens e mulheres eram condicionados desde o nascimento à serem soldados profissionais). E foi desta reação geral de proteção que nasceu o que hoje conhecemos como a civilização ocidental.
Em resumo, depois de ter ouvido e lido críticas vindas de pessoas q nunca tiveram a curiosidade de procurar pelas fontes históricas, eu resumo aqui um pouco do contexto do filme: em 499 a.C., o imperador Persa Dario sentindo-se numa posição de força envia os seus embaixadores às cidades da Grécia continental, a fim de submetê-las ao seu jugo, mas apenas a Macedónia e a Tessália se declararam vassalas da Pérsia. Inicia assim o conflito aberto entre Persas e Helenos, aonde Dario é derrotado. Xerxes, seu filho, subira ao trono em 485 a.C. com a mesma intenção de subjulgar a Grécia mas as cidades-cstados Gregas decidiram, em reação do perigo comum, pôr de lado as suas divergências tradicionais e formaram uma Liga, sob o comando de Leônidas, proclamando a reconciliação geral e declarando guerra à Pérsia (Leônidas era o chefe das tropas Espartanas, potência militar dominante na antiguidade e aonde homens e mulheres eram condicionados desde o nascimento à serem soldados profissionais). E foi desta reação geral de proteção que nasceu o que hoje conhecemos como a civilização ocidental.
O filme
Tudo começa com a tentativa de invasão da Grécia por Xerxes, que se considerava um imortal. A época não era propícia p/ guerras pois os Espartanos estavam em pleno festival religioso de Carnéia, o que os impossibilitava de lutar. Além disso 480 a.C. foi ano de Olimpíadas, durante as quais se proclamava uma trégua sagrada e cessavam as hostilidades entre todos os inimigos na Grécia. Assim, a cidade de Esparta, guerreira por excelência, tomou a frente de um exército de 300 Espartanos e de outros homens de várias outras cidades gregas, o que deveriam contar com o máximo 6.000 homens, sendo que a grande maioria eram pastores e lavradores e não entendiam nada de guerras. Segundo a New Oxford American Dictionary, Leônidas tinha um exército de 6.000 homens (300 soldados espartanos que permaneceram até o fim), enquanto os Persas tinham um exército de 200.000 à 2 mihões de soldados.
Tudo começa com a tentativa de invasão da Grécia por Xerxes, que se considerava um imortal. A época não era propícia p/ guerras pois os Espartanos estavam em pleno festival religioso de Carnéia, o que os impossibilitava de lutar. Além disso 480 a.C. foi ano de Olimpíadas, durante as quais se proclamava uma trégua sagrada e cessavam as hostilidades entre todos os inimigos na Grécia. Assim, a cidade de Esparta, guerreira por excelência, tomou a frente de um exército de 300 Espartanos e de outros homens de várias outras cidades gregas, o que deveriam contar com o máximo 6.000 homens, sendo que a grande maioria eram pastores e lavradores e não entendiam nada de guerras. Segundo a New Oxford American Dictionary, Leônidas tinha um exército de 6.000 homens (300 soldados espartanos que permaneceram até o fim), enquanto os Persas tinham um exército de 200.000 à 2 mihões de soldados.
P/ os amantes de histórias em quadrinhos, esta ocasião é um prato cheio de delícias supremas em relação à renovacão e ousadia técnica e estética visual /sonora, porque o filme consegue realmente nos fazer submergir no mundo fantástico das Grafic Novels, permanecendo uma adaptação muito honesta da HQ e do recito histórico; sendo o único ítem fraco, a meu ver, o espaço dado à realidade espartana concernando as mulheres, mas que não é totalmente absente.
Esparta
Plutarco admirava as virtudes dos Espartanos, consagrando vários escritos sobre seus costumes: as crianças, meninos e meninas, depois dos setes anos eram educados pelo estado e condicionados às lutas, esportes e à uma vida frugal; desde a primeira menstruação, as meninas tinham uma vida sexual ativa e escolhiam seus amantes entre os escravos, casando-se geralmente aos vinte; só depois dos trinta anos é que os homens podiam se casar. Homens e mulheres praticavam juntos as lutas e esportes, nus ou as mulheres com uma pequena túnica aberta aos lados. As mulheres só usavam, o tempo todo, esta túnica, p/ total escândalo dos outros gregos; Ibycos de Rhégion as chamava de "aquelas que mostram as coxas" e o poeta Anacréon, quando se referia à elas usava um verbo, "dvri‹zein", no sentido de "se mostrar nua".
As Espartanas
Historicamente, eram guerreiras respeitadas não só pelo caráter bélico, pela capacidade estratégica como pela inteligência. Um recito de Plutarco diz que Gorgo, esposa de Leônidas e filha do rei Cléomène, aos 8 anos deu um conselho à seu pai de expulsar à pontapés um inimigo que queria comprar seus favores. E foi o que o rei do pai fez! Conselho de mulher era seguido à risca! Elas gozavam de uma liberdade pouco comum, permanecendo caso único no mundo antigo. Possívelmente, até hoje não exista nada comparado com a liberdade que as mulheres tiveram em Esparta, nem mesmo em nossas sociedades contemporâneas. Uma frase que ficou célebre na história é aquela de Géradas de Esparta, contada por Plutarco: “Não existe adultério em Esparta". A razão é que a noção de adultério era totalmente ignorada por eles porque as mulheres podiam ter filhos com qualquer cidadão livre, e mesmo com escravos em alguns casos, que as crianças seriam consideradas filhos do marido legítimo. Antes de casarem-se elas já tinham tido vários amantes e podiam mesmo ter filhos com estes homens pois filhos eram sempre bem-vindos socialmente. Plutarco, em "Vie de Lycurgue", conta que uma Ateniense perguntou à Gorgo: "Porque é que vcs Espartanas são as únicas mulheres à comandar os homens?. "Porque somos as únicas a dar nascimento à verdadeiros homens!", ela respondeu. Heródoto tbém conta que elas tinham suas opiniões respeitadas, pois tidas como muito inteligentes, e cita o seguinte: os gregos souberam do ataque persa graças à Gorgo, pois uma mensagem tinha sido enviada à eles, gravada numa tabuleta de madeira e coberta com cera p/ que o texto fosse escondido dos Persas. Quando a tábua chegou à Esparta, ninguém soube como ler a msg pois era muito difícil perceber que havia cera em cima dos textos, mas a rainha teve a idéia de raspá-la.
Historicamente, eram guerreiras respeitadas não só pelo caráter bélico, pela capacidade estratégica como pela inteligência. Um recito de Plutarco diz que Gorgo, esposa de Leônidas e filha do rei Cléomène, aos 8 anos deu um conselho à seu pai de expulsar à pontapés um inimigo que queria comprar seus favores. E foi o que o rei do pai fez! Conselho de mulher era seguido à risca! Elas gozavam de uma liberdade pouco comum, permanecendo caso único no mundo antigo. Possívelmente, até hoje não exista nada comparado com a liberdade que as mulheres tiveram em Esparta, nem mesmo em nossas sociedades contemporâneas. Uma frase que ficou célebre na história é aquela de Géradas de Esparta, contada por Plutarco: “Não existe adultério em Esparta". A razão é que a noção de adultério era totalmente ignorada por eles porque as mulheres podiam ter filhos com qualquer cidadão livre, e mesmo com escravos em alguns casos, que as crianças seriam consideradas filhos do marido legítimo. Antes de casarem-se elas já tinham tido vários amantes e podiam mesmo ter filhos com estes homens pois filhos eram sempre bem-vindos socialmente. Plutarco, em "Vie de Lycurgue", conta que uma Ateniense perguntou à Gorgo: "Porque é que vcs Espartanas são as únicas mulheres à comandar os homens?. "Porque somos as únicas a dar nascimento à verdadeiros homens!", ela respondeu. Heródoto tbém conta que elas tinham suas opiniões respeitadas, pois tidas como muito inteligentes, e cita o seguinte: os gregos souberam do ataque persa graças à Gorgo, pois uma mensagem tinha sido enviada à eles, gravada numa tabuleta de madeira e coberta com cera p/ que o texto fosse escondido dos Persas. Quando a tábua chegou à Esparta, ninguém soube como ler a msg pois era muito difícil perceber que havia cera em cima dos textos, mas a rainha teve a idéia de raspá-la.
Conclusão
Reconheço a violência omnipresente no filme, mas não é maior do q de outras obras cinematográficas, como Apoclipse Now, por exemplo. 300 tem grande valor estético e técnico. Confesso que a violência me gera um mal-estar, mas o mesmo se dá quando assisto vários seriados de TV e vários outros filmes excelentes e q tbém retratam esta violência. Mas não é por isso q deixo de reconheço o valor que o filme tem através de uma estética particularmente envolvente; como trabalho com novas tecnologias, admiro muito este tipo de arte por saber o que isso realmente implica.
Mas, enfim, o filme gerou uma quantidade enorme de críticas "Politicamente Corretas" e uma batalha de oponentes politicamente corretos à procura de um detalhe p/ as acusações mais insanas umas que as outras; esta mentalidade está destruindo o bom senso geral. Há pessoas reclamando que o rei Persa era afeminado e p eles é um insulto, outros acusando o filme de homoheróico, uns dizendo que o personagem de Xerxes foi caricaturado, outros reclamando que o filme é uma propaganda política de guerra, outros dizendo q o filme quer denegrir a imagem cultural do Irã, e ainda outros ouvem e fazem eco sem analisar, e alguns sem mesmo ter visto o filme!!!
Ora, ora, o filme retrata um episódio histórico ocorrido há séculos, ninguém inventou o roteiro p/ ferir a cultura Iraniana e aliás, o roteiro segue muito bem a História e foi escrito muito antes da guerra do Irã. Mas podem questionar: porque fazer um filme destes justamente agora qdo existe esta guerra? Certo, podem. Mas na minha opiniao, isso pode ou nao ter sido falta de bom senso, tanto quanto Charles Chaplin que fez o The Great Dictator em 1940, ridicularizou o nazismo e mesmo retratou personagens judeus ostensivos, mas foi considerado um ato de coragem.
Há alguns anos ninguém questionaria os filmes sobre a segunda guerra os acusando de denegrir a cultura alemã. Ou os filmes sobre a Guerra Fria como um ataque deliberado contra a cultura Russa. Assim, os alemães seriam vítimas dos filmes de guerra que poluíram nossas telas nos últimos 50 anos?! Charles Chaplin por ter feito entre outros o The Great Dictator, seria condenado pela critica por caricaturar um Hitler afeminado? Isso sem contar os militares do mundo inteiro que reclamariam do fato de um dirigente militar em uniforme ter sido descrito como ignorante e ridiculo!
Ora, ora, o filme retrata um episódio histórico ocorrido há séculos, ninguém inventou o roteiro p/ ferir a cultura Iraniana e aliás, o roteiro segue muito bem a História e foi escrito muito antes da guerra do Irã. Mas podem questionar: porque fazer um filme destes justamente agora qdo existe esta guerra? Certo, podem. Mas na minha opiniao, isso pode ou nao ter sido falta de bom senso, tanto quanto Charles Chaplin que fez o The Great Dictator em 1940, ridicularizou o nazismo e mesmo retratou personagens judeus ostensivos, mas foi considerado um ato de coragem.
Há alguns anos ninguém questionaria os filmes sobre a segunda guerra os acusando de denegrir a cultura alemã. Ou os filmes sobre a Guerra Fria como um ataque deliberado contra a cultura Russa. Assim, os alemães seriam vítimas dos filmes de guerra que poluíram nossas telas nos últimos 50 anos?! Charles Chaplin por ter feito entre outros o The Great Dictator, seria condenado pela critica por caricaturar um Hitler afeminado? Isso sem contar os militares do mundo inteiro que reclamariam do fato de um dirigente militar em uniforme ter sido descrito como ignorante e ridiculo!
300 retrata como o pragmatismo bélico foi a forma de sobrevivência numa sociedade antiga. Pode ser mesmo propaganda bélica, mas pode ser tbém um clamor p o bom senso. Exatamente como nas tribos Yanomamis do Brasil aonde a mãe tem o direito de matar, no nascimento, a criança que mostra algum defeito físico que impediria sua plena aceitação social. Isso eu não estou inventando, um amigo meu que viveu 10 anos no meio da tribo, na floresta, me contou este fato. Eu fiquei possuida de raiva, mas meu amigo me acordou: vc nao pode condenar eles la e vc aqui, é a cultura deles e é uma cultura ancestral. No nosso mundo contemporâneo, esse ato é completamente bárbaro, assim que para eles é bárbaro cortar arvores no meio da floresta qdo se precisa delas p se ter alimento, medicina, protecao. Mas assim como devemos olhar certos costumes de nossos antepassados como algo que se explica pela própria época em que se encontravam, devemos fazer prova de inteligência respeitando e compreendendo cada época e costume.
Na hora da critica pela critica, muitos grupos se transformam em algozes com o mesmo pensamento e atitudes de q eles sempre foram vítimas. Particularmente vejo nisso um grande perigo, sobretudo prq muitas das cabeças pensantes da atualidade procuram se acomodar num confortável estereótipo da vítima.
Na hora da critica pela critica, muitos grupos se transformam em algozes com o mesmo pensamento e atitudes de q eles sempre foram vítimas. Particularmente vejo nisso um grande perigo, sobretudo prq muitas das cabeças pensantes da atualidade procuram se acomodar num confortável estereótipo da vítima.
Heródoto foi quem primeiro apresentou o número dos guerreiros em meio à luta e embora encontremos divergências nos números dados através dos tempos, uma coisa é certa: a disparidade numérica que levou com que a batalha terminasse com uma aparente vitória Persa, mas hélas, conseguida unicamente devido à traição de Efialtes que revelou aos Persas um caminho secreto que conduzia à rectaguarda das Termópilas, possibilitando um ataque surpresa no meio da madrugada! Entretando, os gregos conseguiram inflingir um elevado número de baixas e retardar o avanço Persa, cumprindo o objetivo de Leônidas, o que enquadra esta batalha num exemplo de estratégia militar, pois eles desejavam ganhar alguns dias à mais enquanto o resto dos Estados Gregos organizavam a defesa. A vitória Grega foi conseguirada 2 meses depois, lançando assim as bases da democracia (?) e da futura civilização ocidental e eu tive um prazer imenso em ficar lá sentadinha absorvendo um filme que marca em matéria de técnica cinematográfica. Bravo!
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