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July 10, 2006

Cabeçadas... na Argentina

Pronto, jurei p/ mim mesma que não quero mais ouvir falar de Copa. Cansei. O divertido é que os italianos, como os brasileiros, transformam tudo em oportunidade p/ riso. Então, agora pegaram o Zidane p/ santo; dêm uma olhada neste joguinho e dêm suas cabeçadas também. É só pegar o Zidane com o mouse.

Sabiam que até hoje 4 jogadores receberam cartão vermelho em decisão de Copa do Mundo de Futebol? E curiosamente, o último jogador a receber cartão vermelho em uma decisão antes de Zidane tinha sido um francês, Marcel Desailly, em 1998, quando jogavam e ganhavam contra o Brasil. A outra final a registrar cartões vermelhos foi na Itália, em 1990 e os expulsos foram os argentinos Pedro Monzón e Gustavo Dezotti na derrota para a Alemanha.

Zidane tem tanta fama de brigar em campo, que o cantor Jean-Louis Murat disse: "ninguém sabe se Zidane é um anjo ou um demônio; ele sorri como Santa Teresa e faz careta como um serial killer."

Umazinha está me fazendo rir até agora: domingo, a gente foi festejar na Petite Italie. Eu, toda bronzeada saindo p/ a festa no bairro italiano -que aliás foi um carnaval de arromba no meio da rua e estava bótimo-, a minha vizinha veio indignada comentar comigo que "a máfia comprou o árbitro p/ ele dar cartão vermelho p/ o Zidane! ". Eu fiquei assim boquiaberta e sem saber o que responder e ri. E acho que deu p/ ela perceber que achei sua opinião ridícula porque ri com gosto e sem querer, com escárnio. Ela me olhou meia que abalada, como se levasse uns segundinhos à mais p/ entender - acho até que desabotoôu a blusa-, franziu a testa, levantou os peitos que esmagavam a barriga, prendeu a respiração e virou uma fúria daquelas mitológicas. Aí, com bom humor e toda contente porque eu estava mesmo torcendo pela Itália, respondi inocente achando que a evidência da coisa deixaria a mulher suficientemente abalada p/ ela deixar de jogar frustação em cima de mim: "De tudo quanto é forma, o time francês de francês mesmo só tinha o reserva do goleiro...".
Bom, a frase deu resultado pela metade porque durante um instante fugidio ela gaguejou, parou p/ pensar, afundou ainda mais na cadeira da varanda e finalmente subiu nos tamancos toda alvoroçada e respondeu num francês cheio de falta de classe: "'stie de game... ils ont joué pour la France, tabernac!" (tradução mais ou menos literal: Droga de jogo... eles jogaram pela França, desgraça!).
Aí, euzinha, que não me dou por vencida [e ego quando enflama, enflama; mesmo se tento acabar com ele com toda meditação que posso...] ri mais uma vez mas agora com um pequeno sorriso no canto da boca, aquele gênero sou muito intelectual p/ ficar discutindo besteira. E nisso, o marido dela, sentado ao lado da dita cuja, começou a perceber que a conversa estava esquentando, e foi aí quando ele começou à mudar de assunto que eu acrescentei, rápido, porque estava já começando a gostar da discusão: "Não minha senhora, eles jogaram por dinheiro! Se fosse p/ cada um defender sua cultura com futebol, eles jogariam p/ a Algéria e p/ a Martinica, por exemplo. Nesta história de copa, com a equipe que foi escalada, a França só fornece a grana e o racismo pois hoje mesmo estava uma discussão danada entre franceses sobre a validade de um time que segundo eles não representa em nada os "franceses" como eles mesmo dizem. E o pior é que na discussão está claro que a cor do Zidane, como dos outros jogadores, é um problema p/ eles. Porque se a senhora não sabe, Zidane é considerado negro lá e ser negro p os racistas é uma indignidade, assim como é todo imigrante. Nao sao todos os franceses nao, mas pela grande quantidade das opinioes, tem muitos que pensam assim la por aquelas bandas. Vá na internet e a senhora vai achar uma porção de listas de discussão em francês sobre o assunto. Na França, não é raro que p empregos eles exijam que a pessoa seja "française de souche" ( "francesa de origem"). Escolhem as pessoas da mesma forma como escolhem vinhos, com origem controlada. Esta história de "SOUCHE" é importantíssimo p/ franceses. Agora, estes mesmos franceses que não me venham com esta história toda de orgulho nacional, isso é hiprocrisia. E o Zidane não precisa da máfia p/ se enervar não. Ele foi menino de gueto. E se emputeceu foi porque tanto ele quanto seus colegas de equipe estão conscientes desta discriminação. Não tem nada à ver com o italiano e nem com a máfia. Argelino, na França, p/ valer alguma coisa tem que levar a França a ser campeã do mundo, coisa que um francês "de souche" nunca foi capaz de fazer (nem sei se é verdade, mas eu so queria brigar... quer dizer, o eguinho aqui presente). E p completar, embora eu admire o Zidane, ele foi grosso, muito grosso, foi envergonhadamente grosso."

Quer dizer, eu não falei tudo isso assim com esta facilidade escrita, não. Nem de uma vez porque ela ficou gritando, dando uma de ofendida. Depois eu fiquei com um pouco de vergonha, mas não arrependida porque não estou inventando nada. E hoje a mulher estava uma pérola comigo, me dando bom dia e rindo toda marota. 
Acho que ela pensa que toda brasileira é feiticeira. Fiquei até com pena!

Ela, a mujer, é argentina. Nascida e criada na Argentina e nunca colocou os pés na França, mas se colocasse e se fosse morar em Marselha, acho que viveria num gueto parecido com o que vivia o Zizou!


Nota: Em 1998, quando a França se sacrou campeã mundial graças aos seus imigrantes, meus amigos de origem outra que francesa e que moram na França ficaram achando que o racismo iria acabar, que o francês iria finalmente reconhecer o valor deles e que eles tinham muito à oferecer ao país. Quando acabou a euforia, tudo voltou à ser como antes, mesmo racismo, mesma falta de respeito, mesma agressividade.


Zidane, carriera chiusa con una testata




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July 09, 2006

Itália tetra campeã! Zidane, o argelino que virou francês na última hora!

Estou contente, Itália ganhou da França. Pena mesmo p/ o futebol mundial é que Zidane termine sua última copa do mundo tomando emprestado um comportamento lamentável. Mas a grande pena mesmo é que este comportamento dele foi justo um exemplo típico do comportamento dos torcedores franceses que vi regularmente nos últimos anos, isso depois que a França se sacrou campeã. O que me dá uma ojeriza! P/ quem é brasileiro e vive num bairro de uma cidade aonde grande parte da população é de origem francesa e principalmente, de franceses, viver copa do mundo é às vezes duro porque os 'alguns' franceses não suportam time adversário, e além do mais eles assumem uma tal de 'briguinha' besta entre Zidane e Ronaldo/Ronaldinho. Agora diga-me, minha nêga, sou eu que vou pagar o pato só porque sou brasileira e tenho a camisa do Brasil? O pior é que é gente que não entende nada de futebol! Essa é a única diferença dos torcedores franceses e dos argentinos, a birra contra o Brasil quando se trata de futebol sendo a mesma. Birra ou complexo, não sei, não estou querendo ser prepotente e se fui, peço desculpas, mas que é dose p/ elefante, é.

Agora deu p/ entender, p/ quem não sabia, porque é que eu tenho a opinião que tenho ; leiam o meu post aqui p/ ver um breve exemplo do tipo de coisa que eu presenciei nesta copa.

E agora? Agora já estamos saindo p/ a Petite Italie p/ participar da festa no café Itália, e depois, Festival de Jazz.






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July 06, 2006

Diferença entre a equipe africana de futebol da França e os torcedores franceses, franceses mesmo

P/ quem não sabe, a Fatimazinha chegou ontem de Lisboa. Aí a gente foi junto com a Mariana passar a tarde no Bistro Duluth, comendo aquela comidinha deliciosa, assistindo o jogo dos portugueses e africanos e a incoveniência dos torcedores franceses que ontem por sinal estava no seu apogeu. No reduto tipicamento português que é o Bistro Duluth, apareceram 4 torcedores franceses, os únicos do lugar, com camisas do time, rostos pintados, chapéus do time, bandeiras do time e um chifre de vaca p/ ficar berrando dentro (esqueci o nome do troço...). Tinham reservado uma mesa e bem no meio da sala! e à cada bom toque português, eles vaiavam, gritavam, tocavam o tal chifre, levantavam-se p/ gritar, etc.

Achei a galera portuguesa infinitamente paciente e educada, porque ninguém incomodou os franceses, quatro no meio de uma sala lotada. A menina francesa, dessas gordas e pesadas, era o ser que mais gritava no lugar, berrando aqueles gritos finos e agudíssimos, sabem, aqueles irritantes? pois é. Cada vez que ela levantava, caíam-se garfos, bolsas, copos... o escarcéu. E olha que o restaurante é fino, nada de taberna. Mas o pessoal, e sobretudo os que trabalham no restaurante, p/ não ficar com fama de briguentos imagino, suportaram a coisa com muita classe.

É por causa disso que a língua francesa é conhecida como a língua da diplomacia. Porque ela teve uma evolução direcionada e apoiada com preocupações de educar o seu próprio povo. Pena que falharam (essa teoria é minha, e acredito piamente nela cada vez que observo o comportamento de um francês médio, médio repito, não estou falando de Catherine Deneuve nem de Coco Chanel, que por sinal, era meia grossinha também, só que com classe. Não estou falando também do Christophe, nem da Claire, nem da Pascale e nem do Pascal, nem da Carol, ou do Jean, da Mai e da mãe dela e de alguns amigos dela, e daquele menino que se parece com o Sandmam e que faz arte erótica...).

Tá aí um exemplo do porquê eu tenho um imenso respeito pela equipe da França, e que os próprios franceses chamam de AFRICANA* com desdenho, e não suporto os torcedores franceses? É muito culot!

* Muitos franceses acham que a equipe não pode representá-los como povo, e prefeririam que fossem selecionados jogadores "brancos" como eles.... Sem comentários.

Falando nisso, parece que tem mesmo uma conspiração política fazendo pressão em cima da Fifa, ou é a Fifa ela mesma, p/ a França ganhar. Disseram-me, os franceses por sinal, e não sei se é verdade porque eles gostam de contar vantagem (não estou sendo chata não, nem prepotente e nem fazendo discriminação) que a equipe francesa ganhou um prêmio pela educação como trataram os jogadores do Brasil... ?????????



June 14, 2006

Copa do Mundo 2006

Brasil & Japão - Assistindo com Ciro, Ian e Nigel, e a Katu.


Brasil & Austrália, no quarto do hotel em San Diego (nos enganos de horário - fuso, vale explicar- e quase perdemos o jogo; o negócio foi ficarmos sós assistindo e celebrando depois na praia).




em Montreal - Brasil & Croácia



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