Writing, Flying and Huevos Revueltos
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November 02, 2006

Em situações de urgência, p/ brasileiros que têm a cidadania canadense e estão fora do país....

O Centro de operações de urgência fica aberto 24 horas por dia, nos 7 dias da semana. Um agente está em serviço, em permanência, respondendo aos pedidos de tudo quanto é lugar do mundo. Os cidadães canadenses que estão fora do Canadá podem telefonar à frais virés ao (613) 996-8885.
Para telefonar à partir do Canadá ou dos EUA: (613) 944-6788 ou 1 800 267-6788.

Em alguns países, pode-se telefonar gratuitamente ( téléphoner sans frais).
Podem também comunicar através de um ATS, no número 1 800 394-3472 (Canadá e EUA) ou (613) 944-1310. Para entrar em contato com o Centro, via internet, é só preencher o formulário online (formulaire). Ou enviar um e-mail: sos@international.gc.ca
Telefone: (613) 943-1054

Ouça atentivamente as instruções e deixe o número do telefone aonde vc está, sem esquecer do código regional. Um agente vai ligar em mais ou menos 15 minutos (eles têm um sistema moderno e eficiente de transmissão de mensagens telefônicas).

October 24, 2005

Restaurante RUMI


Rumi: trechos de um de seus poemas

Escute a Ney (a flauta) que lamenta e tenta narrar a história do desterro.A Ney (pedaço de cana) que foi arrancada de sua origem (a raiz da cana), chora e lamenta; assim como o corpo de um ser que foi preenchido com o Sopro Divino (espírito) e está vazio de si mesmo.

Meu segredo não está longe de meus lamentos, mas os olhos e ouvidos físicos não possuem luz para enxergá- lo.Existe um segredo no interior de cada um de nós. É este segredo que devemos tentar seguir dentro de nós mesmo. Quando você é capaz de segui-lo, consegue encontrar a porta principal para a Origem. Seu corpo sem asas se transforma em um peixe feliz, que nadando alcança o Oceano.

O sopro dentro da Ney não é puro ar, é o fogo do amor; e aquele que não carrega esse fogo deixa de existir.
O segredo é uma luz. E quando a pessoa descobre a luz que conduz em direção ao seu Ser Interior, vê claramente o amor que a habita, e este amor a queima por dentro e nada mais tem importância.

Nenhum véu esconde o corpo do espírito, nem o espírito do corpo. E todavia, ser algum jamais viu um espírito.
Para alguns é muito difícil descobrir o segredo da Ney, o segredo de suas próprias saudades, porque eles não conseguem sentir seus próprios espíritos, portanto tão próximos de si mesmos! Uma coisa assim tão perto se torna imperceptível, como as lágrimas nos olhos. A Tua Essência Interior, que alguns chamam Deus, está tão perto de você quanto as suas jugulares. Isso talvez seja o motivo de nós não conseguirmos vê-La claramente.

Finalmente, parece que Rumi diz em seus versos que é o amor por nosso ser interior, e a saudade que temos dele, que nos motivam à existir.



Restaurane RUMI, Outremont:
Tenho uma coleção de msg p/ responder, mas como prefiro escrever no Blog, mesmo se não consigo ficar em dia com os comentariozinhos, vou deixar algumas na fila de espera.

Se existe um santo me lendo agora, e se este santo mora em Montreal, aí vai uma dica ótima p/ curtir um café/restaurante que tem um ambiente e uma clientela muito legal, comida gostossíssima e, fato interessante, os proprietários são dois irmãos judeus que se converteram ao Sufismo! Acreditem se quizer.
A comida é bem creativa, praticamente um menu novo à cada dia - o prato que pedi na semana passada será ligeiramente diferente se eu o peço hoje, porque o chef nunca cozinha como se fosse um robô. Vcs têm que ir lá p/ conferir os “meus dizeres”. Tem também um suco de gemgibre divino.
Eu frequento muito o lugar com amigos, ou só ou com o maridão e com a Catou. À cada ano praticamente comemoro o meu aniversário lá. Foi minha amiga Mai que me apresentou aos proprietários, depois, voltamos várias vezes e de vez em quando levo um p/ conhecer o lugar que é ótimo p/se esticar depois de um dia cheio de trabalho. Mas atenção, à partir da quinta-feira e durante o verão depois das sete da noite, é preferível reservar. Uma amiga me disse que em algumas sexta-feiras, depois que o restaurante fecha, tem um ritual Derviches (eles são dervishes que giram), mas isto fica em segredo.

O nome do restaurante é RUMI, homenagem ao poeta Afegão que viveu em 1207 d.C., e que tinha um nome longuíssimo mas ficou conhecido por este título pequeno e poético. Ontem nós estávamos lá e como era tarde e eu não estava com muita fome e o clima chuvoso e frio, só comi um Labné acompanhado do verdadeiro pão afegão, de forno de tijolo, como entrada e uma sopa deliciosíssima de lentilhas como prato principal. Quem frequenta muito o local também é o Jean LeLoup, que agora mudou de nome e escreveu um livro do qual eu li alguns trechos e adorei -vou comprá-lo-. Legal também é ir lá p/ sentar nas duas mesas ao lado da biblioteca e com bancos cheios de almofadas, para beber um chá de menta e comer uma sobremessa. Ótimo programa p/ as três horas da tarde! O endereço é: 5198, Hutchison, em Outremont. T= (514)490-1999.


September 17, 2005

Missa no Harlem

Amanhã é o batizado do filho de um amigo do maridão, polonês e tão católico quanto o papa. Aí, o maridão chegou em casa dizendo que fomos convidados para a missa e a recepção. Eu logo fui dizendo, em estado de quase choque : - ...mas não sou de missa!

O negócio é que, embore goste muito de igrejas, gosto só para sentar, rezar, meditar, pensar na vida simplesmente, deixar passar o tempo, ou mesmo ficar observando os outros. Enfim, para mim, entrar em igreja é para aproveitar o silêncio do local. Mas também gosto do aspecto teatral de toda a ritualística católica, como por exemplo: chegar no pórtico e, dobrando minimamente um dos joelhos com grâça e elegância, fazer o sinal da cruz e quando sair do recinto, sair de costas fazendo outra vez o Padre Nosso. Isso para mim é o máximo do esplendor!

Finalmente, o que eu gosto mesmo é da intimidade com Deus.

Mas embora não goste de missas nem reuniões religiosas, existe uma exceção: as missas do domingo de Páscoa no Harlem, em Nova Yorque. A última vez que entrei numa igreja p/ assistir missa foi porque estava curiosa p/ conhecer o verdadeiro Godspell. E tudo começou assim: o maridão chega outra vez em casa todo feliz, e desta vez é porque ao invés de reservar o feriado de Páscoa num bairro elegante nos arredores de NY, segundo o combinado em família, ele tinha preferido um Bed & Breakfast no Harlem, propriedade de uma franco-canadense. O bairro, até alguns anos atrás tinha má fama, mas depois que varreram NY e o Central Park da criminalidade, as pessoas começaram a, tranquilamente, invadir o bairro por causa do potencial imobiliário, e porque é o lugar mais perto de Manhattan, que é caríssimo e difícil de encontrar vagas. A intenção dele era não só sentir de perto o espírito do Jazz, do Godspell, do Blues, ou andar pelas mesmas ruas que foram usadas pelos grandes músicos de outrora, mas também respirar o ar do ambiente para sentir o "frêmito do espírito destes grandes mestres!". Ele, se empolgando na poesia do seu próprio palavriado, e eu, inocente como sou, caí nessa ladaínha toda.

O tal do Bed & Breakfast, referência de um colega do trabalho, tinha a fama de "IN", por ser um dos raros, ou talvez único, do bairro e perto das casas de espetáculos e das famosas igrejas aonde à cada domingo, e sobretudo este porque era Páscoa, fervilhava de pessoas de todos os cantos. Embora missa, a reunião era um verdadeiro espetáculo, e os pastores, verdadeiros showsmen.

Fomos p/ NY e entramos logo no Harlem, atrás do B&B. Para começar, sou alérgica à pêlos de animais, e nem bem entrando, dei de cara com um destes gato com jeito de torchão de oficina mecânica, sujo e tão cheio de pêlos que a gente nem via os olhos do pobre coitado (escrevendo isso, eu até pareço ser uma daquelas chatas de nariz empinado, mas juro que não). Imediatamente, fomos ciceroneados por um rapazinho, bonito e muito gentil (gosto muito dos americanos porque, pelo menos os que conheço ou conheci, são generosos, educados, inteligentes, curiosos, com um ótimo senso de humor e sempre prontos p/ festejar) que era a pessoa que fazia tudo no local, desde carregar malas até concertar portas quebradas. O prêdio era um sonho, no que se refere à arquitetura histórica, pois antiquíssimo, ainda do tempo em que o bairro era habitado por ricos comerciantes holandeses. O negócio é que eles estavam recuperando o edifício, que devia ter sido desabitado por muito tempo, e o resultado foi que eu tinha que tomar meu banho num banheiro minúsculo (imagino que antigamente, os banheiros eram fora das casas, e aquele espaço deve ter sido um armário na planta original...), com a menor banheira que vi na minha vida, suja, com um cano quebrado sevindo de chuveiro, cheio de buracos e a privada não tinha nem tampa. O quarto era grande, e como o banheiro, parecia que tinha sobrevivido à um furação.

O pior é que era tarde demais p/ reservar em outro lugar, pois a cidade estava lotada de turistas e mesmo em Manhatan, nos hotéis caros e –íssimos, não conseguimos vaga. E para completar o quadro, acordei no dia seguinte com minha orelha esquerda inchada, quer dizer, mais do que inchada. Ela tinha crescido três vezes mais do que o tamanho normal! Eu nunca tinha visto um orelhão daqueles e fiquei preocupadíssima porque a orelha só ia crescendo, coçava muito mas não doía felizmente, mas ia despelando toda. Uma coisa incrível!

Quando comecei a conjecturar sobre a possibilidade de ter sido um rato que passou em cima de mim durante a noite, fiquei mais preocupada ainda, mas logo que saímos para a rua, acabei deixando este fato de lado p/ aproveitar o momento porque, embora tenha chovido e as ruas estivessem molhadas, o dia estava muito bonito e os habitantes do Harlem sempre corteses. Foi muito bom mesmo. A missa, ou melhor, as missas porque assistimos três (é claro que não ficamos durante todo o serviço), são verdadeiros espetáculos de improvisação, e estão entre as experiências inesquecíveis que já assisti, não só por causa dos corais, mas do próprio público que participava e sobretudo dos pastores e dos auxiliares destes que dançavam, gritavam, cantavam, riam um dos outros, entravam em êxtase; era uma mistura de teatro e de festa.

Não me recordo mais de quantos dias ficamos, mas não foi muito porque depois de conhecer bem o bairro, passear bastante nos arredores, nós resolvemos pegar a estrada e voltar p/ Montréal antes do tempo porque não dava p/ passar várias noites no tal lugar. NY estava vazia e chuvosa.

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September 13, 2005

O exotismo da bombástica esquina da "La Catherine/ Saint-Laurent"

No dia anterior, depois de terminado o espetáculo do Seu Jorge, eu e S. fomos dar um pulo na SAT - Society for Arts and Technology (sempre tem shows). No caminho entre o Club Soda e a SAT, que ficam quase um do lado do outro, ouvimos a música vinda de uma das portas ao lado do Club Soda - "La Cucaracha" - e entramos, por curiosidade e pela primeira vez de nossas vidas, na Taverne Midway. Lá dentro, uns cinco casais dançando, alegres e um pouco constrangidos, sessenta anos mais ou menos, talvez menos, e vestidos como se estivessem num respeitável clube social. Se divertiam como crianças, mas sem muito ruído. Todos concentrados na dança ou no companheiro, de vez em quando nos lançavam um sorriso comparsa. Nas mesas esparsas, outros casais sentados, alguns mais jovens mas melancolicos estes, silenciosos. Saídos de uma ficção Felliniana, aqui e lá, alguns grupos de três, ostentavam algo que poderia ser tristeza ou indiferença, um cansaço nos olhares vazios e estagnados num copo de cerveja deixado entre os braços que descansavam em cima da mesa. Destes, alguns nos olharam passivos e interrogativos - seria um olhar de desprezo se eles pudessem conseguir um pouco mais de energia para sustentar tal olhar -, como se nós duas pertencêssemos à uma fauna estranha - enquanto num dos cantos do salão, um telão expunha um vídeo francamente pornô que todo mundo parecia ignorar!

É por causa disso que eu repito, A-D-O-R-O Montréal!! Só aqui existe esse tipo de coisa à alguns passos dos restaurantes chiques do boulevard e das putas tristes da rua Sainte-Catherine.

Enfim, o Bistro Duluth
Para terminar a história, depois do lançamento do livro, eu, maridão e S. fomos comer em outro restaurante muito bom, português, ainda na Duluth, e ficamos por lá até 1 hora da manhã, bebendo vinho e falando da vida. Antes, nós frequentávamos bastante o local, principalmente no brunch dos finais de semana, e sobretudo no verão por causa do espaço que eles têm do lado de fora, ótimo durante o dia ou à noite, p/ tomar uma sangria neste calorzão...

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