August 02, 2006
Nomes estranhos... e feira de dentaduras
Eu tinha dois colegas de classe, um que se chamava Divino Messias do Espírito Santo e que a gente chamava ora Divino, ora Messias; e um outro cujo nome de família esqueci mas que se chamava Delírio. E a gente dizia assim: "Divino, me passe este lápis por favor!... ou "Delírio, a professora tá te vendo!" .
Eu dava muita cola p/ o Delírio, pois ele era o típico rebelde, gozador, sedutor, contra-corrente, e que não queria saber nada de regras, disciplina ou estudos, enquanto o Divino era, como dizia a minha avó, muito apessoado. Eram opostos. Estudamos juntos durante todos os anos de ginásio e muito provavelmente do primário também. O pior é que em todos estes anos, eu e nenhum de meus colegas de classe tomamos consciência do absurdo da coisa. Foi preciso crescer, casar, ter filho e envelhecer p/ estes dias eu acordar e pensar: Êpa! o Messias chamava-se Divino Messias! E aí fui me lembrando que todo santo dia a professora fazia a chamada e repetia o nome completo de cada aluno em voz alta, e a gente ficava de pé e respondia por "Presente", mas ninguém ria nem comentava e duvido que na cabeça de algum de nós tenha passado uma sensação de estranheza ao ouvir o nome de cada um deles. Se fosse isso, existiria piadas, mas nunca existiu. Nem durante, antes e nem depois da aula. Estranhamente, p/ nós chamar-se Divino Messias do Espírito Santo era algo tão normal quanto chamar-se Delírio!!
Nem quando eu comecei a colecionar Sandman, que tem um irmão que se chama Delírio, eu acordei p/ o absurdo da coisa. Sandman é uma história em quadrinhos e a maioria dos personagens são oriundos da imaginação fértil de Neil Gaiman. Mas Gaiman, na vida real, não colocaria o nome de Delírio em um de seus filhos, eu tenho certeza. Os pais do Delírio eram certamente poetas e os do Divino, amendrontados.
Delírio era loiro, cabelos encaracolados, pele rosada. Tinha cara de anjinho de missa, mas era um capeta. Imagino que seja o único Delírio do mundo! A maioria das meninas não queriam nem ficar do lado dele por puro medo pois ninguém sabia o que ele podia aprontar. Ele gostava muito de mim e de uma outra amiga nossa, a Tânia Cunha, talvez por que além de eu viver dando cola p/ ele nas provas, nós éramos únicas meninas que não fugiam à sua presença. Por isso, de vez em quando ele aparecia com umas balinhas e bombons p/ nos presentear. Depois ficamos sabendo que ele roubava estes bombons e balinhas dos despachos que encontrava nas encruzilhadas, sobretudo em época de Cosme e Damião, mas não era de maldade não, p/ ele isso era uma honra. Ele jupava também as balinhas do despacho junto com a gente, todo orgulhoso de estar em nossa compagnia, sentados os três no banco da praça, ele, satisfeito de si mesmo, jogando algumas das balas chita nos automobilistas que faziam o balão da pracinha do bairro Ano Bom.
Já o Divino era um neguinho bem tino, raquítico, sorridente, humilde e simpático. Parecia um espermatozóide com aqueles olhos brancos e grandes que se destacavam na cabeça de um corpo que carecia de gordurinhas. Desconfio que recebeu o nome por conta de promessa p/ tentar salvá-lo desta sina triste, pois o menino carregava o nome com justeza. Aliás, todos dois carregavam, cada um, um nome que lhes iam muito bem com a personalidade. A lembrança mais punjente que tenho do Divino -após o nome, a figura de cabeçona e o sorriso muito branco- é o dia em que ele caiu num barranco e saiu amparando um dos olhos nas mãos. No começo eu vi aquilo e não entendi direito pois tinha ouvido um grito, olhei p/ o barranco e vi ele andando com a criançada toda às voltas, ele, o pobre, com uma urgência nos gestos, sério e sem tempo p/ choros, que aparava com as mãos um monte de fios coloridos em violeta e vermelho, alguns poucos azuis. A lembrança que guardo é sobretudo deste violeta, cor bonita e que me ficou na memória depois que eu entendi que aquilo era de verdade um olho. Eu nem sabia que olho saía assim e que a gente podia segurar com as mãos. Aparentemente ele sabia e fez a coisa certa sem alardes, objetivamente pragmático. Ele deveria ter uns 11 anos nesta época.
K.
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Mais surrealista do que este caso aí em cima é um outro contado por um conhecido meu que viajou por várias regiões do Marrocos, encontrando uma venda de dentaduras em um destes mercados ao ar livre. No lugar tinha uma barraquinha cheia de dentaduras de todos os tipos e tamanhos. O cliente que vinha atrás de uma dentadura, pegava algumas p/ experimentar, colocava a dentadura na boca, olhava no espelho e se não gostasse colocava de novo em cima da mesa. O próximo cliente vinha e fazia a mesma coisa, e cada uma das dentaduras tinha sido já experimentada várias vezes por vários compradores potenciais destentados, de boca em boca, de banguela em banguela, de saliva em saliva.
July 31, 2006
Como vai a civilidade nas grandes cidades do mundo?


Foi um "disse que me disse" danado, entre os amigos e os satélites. Os brasileiros adoraram, porque p/ quem está morando em Montreal mas foi educado com a preocupação de sempre agradecer, pedir licença, dizer por favor, abrir a porta p/ uma outra pessoa passar, ou segurar a porta, dar o seu lugar p/ os mais velhos ou muitos jovens, os doentes ou mulheres grávidas em transporte público, não deixar o cachorro fazer cocô na calçada ou na escada do vizinho, ou limpar o cocô que o cachorro fez no meio da rua, etc... bem, é difícil ...
Mas enfim, a importância deste estudo é que ele conseguiu conscientizar a mídia. Os jornais e a TV, ao menos em Montreal, colocaram a notícia em destaque e estão se perguntando o que fazer p/ educar o povo...
O estudo quem fez foi a Reader's Digest. Leiam os dois artigos, How Polite Are We? Uncommon Courtesy.
SP foi considerada a cidade da América Latina aonde habitantes têm o mais alto grau de civilidade; ficou em quarto lugar.
July 29, 2006
Xpu-Ha, México (1)
July 25, 2006
Les premières chamanes
Kátia Hushahu et Raimunda Putani sont nées en Rio Gregório, dans la province du Acre, au sud-ouest de l’Amazonie. Elles sont les seules femmes à s’engager devant le Rare, la plante sacrée du peuple Yawanawá, et devant les esprits de leurs ancêtres, à consacrer leurs vies aux pratiques chamaniques. Mais lorsque les deux ont été initiées, personne ne croyait en leur réussite, surtout les hommes de la tribu, puisque l'attitude des deux femmes allait contre la tradition. Mas le vieil et sage Tuin Kuru a dit:
-« Notre connaissance spirituel n’a absolument rien à avoir avec le sexe, la couleur ou l’odeur. Homme ou femme, tous peuvent apprendre parce que la connaissance vient de l’esprit. »
Les « Pajés » Yawanawá
Raimunda a été l'une des cinq personnalités à recevoir des hommages, cette année, du Senat Brésilien lors du Jour International de la Femme. Mais, il n’a pas été facile pour elles de vaincre la résistance des sages de la tribu Yawanawá puisque les femmes ont toujours été en dehors de cette fonction. Pour finir avec cette tradition d’exclusion, elles ont dû passer par une dure épreuve en s’isolant pendant 1 an dans la forêt, se nourrissant que de crudités et sans boire de l’eau (le seul liquide qu’elles avaient droit était une boisson fait à partir du maïs).Victorieuses dans cette épreuve d’endurance, les femmes ont été considérées prêtes pour la mission chamanique.
Raimunda a dit : "J’avais beaucoup d’envie d’apprendre, d’étudier e de vivre nos us et coutumes. C’est une force qui m’habite. Je veux pouvoir aider et guider mon peuple. La vie doit avoir un sens, une séquence."
"Aujourd’hui, je sais qui je suis. Je suis en paix. Ma langue et ma culture sont très riches et belles. Elles sont notre identité. Je connait la beauté et la force de la nature. Je sens la force de la pensée; quand elle est ferme, il n’existe rien d’impossible ni supérieur, ni inférieur. Nous sommes tous égaux dans la vie. Chacun avec sa fonction et le pouvoir de sa volonté, qui doivent être utilisés toujours pour le bien de tous».
« Le plus difficile a été de vivre isolées en n’ayant que la compagnie de mon père et du pajé Tata. (Et lorsque) Nous avons commencées à boire du Rare […] J’ai perdu la connaissance. La pression de la boisson donne beaucoup de soif et manque de souffle, le corps s’endorme et le cœur devient plus rapide. Nous ne pouvions pas boire de l’eau. […] (Ce n’est que) maintenant que nous commençons à boire de l’eau avec citron. [...] il ne faut pas boire du sucré afin que nos paroles et nos mains gardent toujours le pouvoir. Le sucré coupe le pouvoir. Est comme si l’ont jette de l’eau sur le feu et que le feu s’efface. De cette façon (en ne mangeant ou buvant rien sucré), notre pensée et notre parole aurons toujours le pouvoir […]. ". A dit Raimunda.
"Après deux mois dans cette diète, mon père a amené un cobra et nous avons bu son crachat, ce qui contenait sa connaissance. Nous n’avons pas eu peur."
"[...] Personne dans la tribu ne croyait en nous. Pour nous, c’était comme casser un tabou, nous avons été très strictes. Beaucoup ont dit que les femmes ont beaucoup de désires et que pour cela nous ne pouvions pas honorer tous les préceptes, mais voilà déjà plus d’un an que nous n’avons pas eue des relations avec un homme".
Kátia a dit : "Le Rare est une plante sacrée. À partir du moment où nous la mangeons, nous avons sa connaissance et son pouvoir. […] Notre parole devient pouvoir puisque c’est une plante, mas c’est aussi un esprit. […]Elle est une femme[...], dans la planta et dans la Cobra. Dans nos rêves est toujours une femme qu’apporte la connaissance. Elle a un très grand pouvoir."
Source: le blog du journaliste Altino Machado.
K.
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As primeiras pajés brasileiras
Foto: Altino MachadoFonte: Blog de Altino Machado
O Brasil tem agora 2 mulheres pajés: as acreanas Raimunda Putani, 27 anos, e Kátia Hushahu, 26 anos, da tribo Yawanawá. As duas precisaram vencer a resistência dos sábios da tribo, que não admitiam mulheres na função e tiveram que passar por uma prova de resistência: ficar um ano isoladas na mata comendo só alimentos crus e sem tomar água.
“Hoje eu sei quem eu sou. [...] Sei da beleza e da força da natureza. Sinto a força do pensamento. Quando ele é firme, não existe nada impossível, nem nada superior ou inferior. Somos iguais nesta passagem pela vida. Cada um com sua função e o poder de seu querer, que deve ser usado sempre para o bem de todos” , diz Raimunda, que foi uma das cinco mulheres premiadas pelo Senado Federal, este ano, na 5a edição do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.
K.
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Syd Barrett, leader of Pink Floyd

Pois é, ele morreu 7 de julho e eu li isso naqueles dias, às pressas, e pensei em contar p/ a Katu porque ela sempre adorou ele, fica procurando músicas dele em tudo quanto é canto. Roger “Syd” Barrett, leader of Pink Floyd.
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chá p/ perder o sono? URTIGA
A famosa “Urtica dioica”, ou a famigerada URTIGA:
Sim, leram bem e direitinho, a urtiga é um excelente tônico e deve ser usada por pessoas doentes, fracas e esportistas que querem melhorar a performance, ou simplesmente por quem está se sentindo cansado, sem vontade e sem energia. É um ‘espanta fatiga”, além é claro de ter uma quantidade enorme de outras propriedades sobretudo contra a anemia.
A urtiga, apesar da sua má reputação, é uma planta medicinal potente. Tem propriedades depurativas, diuréticas, adstringentes, antianêmicas, antidiabéticas, antitiartríticas. Recomenda-se no caso de problemas ditos ‘femininos’, contra perdas brancas, hemorragias patológicas do útero, regras dolorosas, regras abundantes, etc. Muito boa também em casos de diarréias, dores reumatismales, artrite, excessos de açúcar no sangue, cansaço geral. A folha é potente diurétique, elimina os sais do organismo, é dépurativo e metabólica. Enfim, ótimo remédio durante a convalescência, menopausa, período menstrual, usada por mulheres, homens e crianças em qualquer época da vida.
É um remédio popular para purificar o sangue, sobretudo nas erupções cutâneas das crianças e problemas como eczémas. Dizem que também alivia hémorroïdas, cistite e problemas da próstata.
INSTRUÇÕES: Infusão para o tratamento de artrites, gota e reumatismo: um punhado de urtiga por litro de água; beber quatro chícaras por dia, tomar antes ou entre as refeições.
Decocção contra o diabetes: a decocção de folhas: dois punhados por litro de água, deixar reduzir de um terço ¼ de vidro vários por dia.
P/ tirar o sono? basta uma xícara, e o efeito é quase imediato.
Em todo caso, por mais informações, venham ler aqui no PLANTAMED porque o Zulmiro Alves da Fonseca conhece as plantas em geral e a urtiga mais do que eu.
K.
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