Writing, Flying and Huevos Revueltos

October 20, 2006

Filme: The Navigator, de Vincent Ward

Dia sombrio, fríissimo, chuvoso e começando à nevar. Abri um armário que se encontra no KGB e aonde estão arquivados grande parte do meu material video, algumas cassetes estão lá aposentadas depois de anos. Encontrei de tudo, e passei parte do dia visionando algumas cassetes já esquecidas. Em 1996 fiz um video de 6 minutos, Le Chant de la Sibylle, cujo som é do Kronos Quartet. Na época, quando tive a idéia de escrever-lhes p/ pedir autorização p/ usar o material, um eco de opiniões divergentes se faziam ouvir no horizonte: diziam-me que uma artista literalmente desconhecida pelo grupo não poderia obter facilmente tal autorização. Mas eu consegui! -a carta encontra-se nos meus arquivos e eu já tinha me esquecido desta estória.- P/ entender o drama que se passava naquela época em relação à este projeto, basta dizer que a música não era finalmente um fundo sonoro pois eu estava terrivelmente inspirada por ela; o tratamento das imagens assim que a montagem foram tratados como um acompanhamento. Os textos foram tirados do La Jeune Parque, de Paul Valèry. Em resumo, se eu não tivesse tido a autorização, teria simplesmente que encostar o video.
Então, foi nesta situação de encantamento e curiosidade que eu redescobri o The Navigator, de Vincent Ward no meu armário. A cassete estava lá, empoeirada, atrás da Maison de Redressement, de Francisco Ruiz de Infante. Um e outro foram trabalhos inesquecíveis p/ mim. Eu tinha colocado estes dois documentos com dois outros cassetes, entrevistas com Paul Auster e Elisabeth Badinter. Visionei um pouco cada uma das cassetes mas infelizmente elas tinham sofrido bastante com o frio do local. O material ficou danificado -imagino que tenha sido o frio e a mudança de temperatura radical-. Mas foi o suficiente p/ eu me certificar do imenso talento de Vincent Ward nesta inesquecível odisséia medieval, como ele mesmo entitulou este seu trabalho.
O Navegador, o filme que colocou Vincent Ward entre os cineastas mais inovadores e competentes deste século, é um filme sobre os sonhos, a morte, as relações interpessoais, a força do coração humano e também sobre a procura por uma espécie de transcendência. O filme fala igualmente sobre a percepção da finitude e da complexidade do universo que nos rodeia.
Enfim, conto místico contemporâneo que se passa no século 14 durante a devastação da peste negra, o filme é uma das obras mais alucinantes já filmadas; a história é uma aventura aonde misturam-se fé, ciência, religião, misticismo, realismo histórico e aventura moderna, criando uma obra visualmente deslumbrante, sem aqueles efeitos especiais gênero gadget que eu tanto detesto; Ward trabalha com contrastes : a fotografia em preto e branco carrega oposições de sombras e paisagens cobertas de neve, o céu cinzento e a luz fantasmagórica de lampiões que queimam em cavernas obscuras. Expressionista, o filme é em realidade uma parábola sobre o ser humano na tentativa de compreender tanto seu universo imediato, como o universo infinito no qual vivemos subjulgados à forças complexas, assim que os possíveis universos paralelos à nossa própria realidade.
O dia à dia áustero, em preto e branco, do povoado do personagem medieval Griffin contrasta com suas alucinações coloridas de um outro mundo no qual ele visiona a esperança de uma salvação contra a peste negra; suas visões quebram esta austeridade e aprofundam a narrativa em cavernas subterrâneas que se aparentam simbolicamente às profundezas humanas, e através das quais os pelegrinos do povoado alcançam um universo moderno e imcompreensível p/ suas mentes medievais que, portanto, cultivam ainda a fé, único motor catalisador de esperança.
Assim como Einstein, a estória nos diz que tudo é relativo.

4ª Semana Nacional pela Democratização da Comunicação


Site Web da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação

Nove famílias brasileiras têm o total contrôle das principais empresas e meios de comunicação do país enquanto 175 milhões de pessoas escutam, caladas. É justo? É normal? Não é.
Como reação e partindo à procura de soluções p/ contrabalançar este fato, um coletivo constituído por organizações, redes e fóruns, espalhados pelo país, foi criado e decidiu-se organizar a 4ª Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, aonde vai rolar debates sobre o assunto.

October 18, 2006

Fotos no blog

Eu aqui quebrando a minha digna cabeçinha com um WebSite multimídia que estou realizando, e me dá uma daquelas irritações -forma educada de dizer ojeriza- da tecnologia e do que não funciona porque sempre tem algo que não funciona quando a gente trabalha com multimídias. Aí, p/ espairar, eu vou dar um tempo e fazer uma pesquisa na net. Indo e vindo, dou de cara com um blog aonde o cara diz essa, em outras palavras, é claro, porque não me lembro da frase exata: "as pessoas colocam fotos no blog quando não sabem o que escrever!!!!!!!!!!!".
O ponto de exclamação é meu.
Eu tenho tanto trabalho p/ colocar imagens no meu blog! Se fosse por preguiça ou falta de inspiração, entre escrever ou trabalhar imagens, eu sou mais rápida e eficiente na escrita, embora seja também super rápida e eficiente no trabalho com imagens. Perco muito tempo na optimisação de uma imagem principalmente, e na transferência p/ o computador. Além de que sempre guardo as minhas imagens em várias qualidades e tamanhos, p/ impressão, p/ o web, mas também p/ o blog pois a imagem deve ser ainda mais leve num blog do que num simples site. E escrevo numa rapidez que dava inveja aos meus colegas da universidade, da escola, e na minha vida toda; e ainda dá. Aliás, eu sou eficiente demais p/ escrever e p/ cozinhar. Escrevo rápido, e não tenho nenhuma dificuldade.
Quando não escrevo no blog é por falta de tempo, mas principalmente porque tenho coisas mais interessantes p/fazer como sair e ter um bom papo com gente real. Ôxe! E quando coloco uma imagem, é uma opção assim como é a escritura de um texto. Eu não escrevo p/ encher linguiça, como não coloco imagens p/ não encher linguiça.
E outra coisa mais: imagens são também uma forma de escrita, e boas imagens, requerem tempo e dedicação, assim que a boa escrita, viu?
Mando ou não mando p/ ele este comentário? O pior é que nem sei mais quem foi....
K.
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Apdeites

Muito bom o artigo: CopyScape, ou copiar e escapar?, do Apdeites
K.
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October 15, 2006

Le Grand Meaulnes



Li o livro quando era adolescente, e com ele carreguei esta coisa indescritível que corrói minha alma inundando-a de nostalgia de coisas esquecidas. Hoje, só o sentimento persiste. Depois, vi na sessão da tarde o filme de Jean-Gabriel Albicocco. As imagens estão na minha cabeça; só não sei se fui eu quem as criou depois de ler o livro. Minha memória me trai?
Agora, soube que fizeram um novo filme, que já está em cartaz na França. Ninguém ainda me disse se é bom ou não. Estou curiosa, mas isso me soa como traição. Tinha acostumado-me à viver com as lembranças deste primeiro filme, destas imagens que ficaram-me tão profundamente marcadas e agora, terei que compartilhar-las com uma modernidade. Justamente por ser adepta convencida das novas tecnologias, desconfio desta época de efeitos especiais à profusão, gadgets e atores esteticamente corretos. A obra de Alain-Fournier vai resistir à isso?


K.
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Discovery Channel sobre o Brasil

Enquanto espero o doc que será apresentado no Discovery Channel sobre o Brasil, eu fico aqui sentadinha no meu sofá ao mesmo tempo zapando e navegando na web.
É bem conhecido que todo geminiano é impaciente por natureza e tem tendência à fazer várias atividades ao mesmo tempo. Na Web, descubro esta maravilha: "Parler pour ne rien dire et ne rien dire pour parler sont les deux principes majeurs et rigoureux de tous ceux qui feraient mieux de la fermer avant de l'ouvrir. (Pierre Dac)".

Na tv, em "Tout Le Monde en Parle", dou de cara com um psiquiatra francês em visita à Montreal, sedutor e charmoso, que -oh, finalmente um entre eles, os psi,- questiona o uso de medicamentos em casos de hiperatividade infantil e mesmo depressão ou agressividade adulta também; ele aconselha ATIVIDADES FÍSICAS.... (eu sempre falei isso, tem que sair e andar muito, brincar bastante lá fora, correr e gritar, gritar, viu? Até adulto tem que fazer isso, correr, rir, brincar, gritar, xingar e rir de novo. E comer peixe (muito difícil p/ mim....).

Tem uma frase que não me sai da cabeça, por culpa de Isaías, que me enviou uma msg perguntando sobre a frase e sobre o autor. Meu amigo, esqueci quem foi o autor da mesma, como também esqueci exatamente as palavas, algo como: Quando tenciono falar da coisa mais.... que vi na minha vida, minha lingua enrola, meu......., sou um homem mudo.

Catedral de Chartres e Vitória da Samotrácia




O Francisco pediu-me p/ enviar-lhe fotos de Chartres. P/ quem não sabe, tem 2 coisas que eu não posso deixar de fazer quando vou à Paris: ir no Louvre p/ admirar a Vitória da Samotrácia, e ir em Chartres p/ ver a catedral. Tenho um calor na alma e elevo-me de um grau de humanidade à cada vez que vejo estes dois monumentos; tenho vontade de morrer p/ me fundir com Deus...

Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz

Um grande urra p/ a escolha do Nobel da Paz deste ano : MUHAMMAD YUNUS.

Chamado de "banqueiro dos pobres", ele começou com 27 dólares distribuídos entre 42 fabricantes de móveis de bambu de uma aldeia pobre do Bangladesch, e transformou até agora a vida de 6,6 milhões de pessoas. Isso começou há trinta anos atrás.

Com um doutorado em economia obtido nos Estados Unidos, ele ensinou esta disciplina durante sete anos no Colorado antes de retornar em 1971 ao seu país natal, o Bangladesch. A fome, que estava devastando o país obrigou Muhammad Yunus a mudar o rumo da sua vida. O fato é que enquanto ele estava ensinando teorias econômicas desconectadas com a realidade, seu país enfrentava uma grave crise econômica e várias pessoas estavam morrendo de fome nas ruas. Assim, tomando consciência do quanto era arrogante pretender ter respostas permanecendo numa sala de aula, ele foi aos poucos desenvolvendo um projeto centrado sobre a idéia de emprestar-se dinheiro às pessoas pobres, aquelas que não podiam dar nenhuma garantia em retorno.
Em consenquência, muitas pequenas empresas foram desenvolvidas graças aos seus pequenos empréstimos, e o conceito de microcrédito excedeu as fronteiras do país para ser reproduzido na África.

Reagindo à obtenção do prêmio Nobel da paz, Muhammad Yunus declarou: "É uma notícia fantástica, não somente para mim, mas também para milhões de pessoas no mundo que beneficiaram do microcrédito."

Mesmo se cada atribuição de um prémio Nobel da paz acontece raramente sem controvérsias, a escolha foi aplaudida nos quatro cantos do mundo e todos reconhecem que "o vencedor deste ano fez um trabalho notável na luta contra a pobreza, mesmo se não se pode qualificá-lo de pacifista", diz a nota do Prêmio Nobel.

Alguns criticam o projeto de Muhammad Yunus acusando-o de não incentivar a poupança, uma besteira segundo o meu ponto de vista porque o projeto foi feito p/ pobres e quando vc não tem o que comer, como é que vai pensar em poupar?! Mas outros o defendem partindo do princípio que que uma paz duradoura só pode ser alcançada se uma grande parte da população conseguir sair da pobreza. E foi isso que nos recordou o Comité de Seleção do Prêmio Nobel da paz. " O microcrédito, neste sentido, permite progredir a democracia e os direitos humanos.".