Writing, Flying and Huevos Revueltos

September 05, 2006

Dois excelentes filmes da semana: Idlewild e The Illusionist

No último sábado eu assisti dois filmes que me fizeram começar à ter esperanças sobre o renascimento da criatividade e inteligência no cinema - eles são simplesmente geniais!- : The Illusionist, de Neil Burger e Idlewild, de Bryan Barber (com Andre Benjamin e Big Boi, do OutKast).

Idlewild é o exemplo típico de um filme genial, realizado com mãos de mestre e alimentado continuamente por uma criatividade e profissionalismo imensos. Enfim, um filme com um contrôle de qualidade raramente visto nos últimos anos, o que nos permite de submergir com inteligência, prazer e gargalhadas mil, sobretudo, num universo rocambolesco mas que não se perde. E nem nós perdemos o fio da meada. Os efeitos visuais são sedutores e sobretudo inteligentes sem cair no ridículo do exagero que vemos com frequência no cinema dos últimos anos e nos leva por uma viagem prazerosa através de imagens, cores, muitas cores, ótimos atores, uma direção da fotografia cuidadosa e refinada expressa através de imagens esteticamente cativantes, uma música realmente muito boa com músicos e cantores, e dançarinos idem. Enfim, um real prazer!

Alguns dão ao The Illusionist a característica de "romântico", o que eu discordo embora veja claramente que o 'romance' está subentendido na faixada deste filme à mistério. Parece que ele foi feito à partir de um livro que eu não li e por isso não sei se foi bem escrito, mas a história é realmente envolvente. Não contarei nada, como não conto a história de Idlewild, porque o interessante é ir descobrindo os personagens e os laços entre eles por si mesmo. O 'romantismo' no filme é completamente obsoleto pois serve apenas como desculpa p/ contar uma história que é extremamente bem contada através de uma narração quase omnipresente e meios técnicos, ainda uma vez, sedutores e inteligentes: os efeitos especiais, controlados, servem como complemento p/ ilustrar e nos ajudam à submergir dentro da história sem ridicularisar e nem nos obrigar à fazer abstração de nossa inteligência.

August 31, 2006

A triste história do padre Voador

Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em 1685 em Santos. Mostrou desde jovem interesse pelo estudo da física. Teve sua primeira invenção em 1707, com 15 anos; o alvará (23 de Março de 1707) foi a primeira patente garantida a um inventor brasileiro em pleno período colonial. Infelizmente não são conhecidos desenhos nem esquemas do modelo construído.

Em 1701, com 16 anos, partiu para Portugal p/ estudar. Volta p/ o Brasil em 1705, e embarca de novo para Coimbra em 1708, já ordenado sacerdote, p/ continuar seus estudos de Física e Matemática. Nesse ano trabalha no projecto de um engenho “mais-leve-que-o-ar”. Consta que ao observar uma pequena bola de sabão pairando no ar, se inspirou para a concepção de um balão cujo alvará foi-lhe concedido em 19 de Abril de 1709. Em 8 de Outubro do mesmo ano, Bartolomeu de Gusmão teve êxito absoluto na sua experiência, a notícia se espalhando rapidamente pela Europa e ele ganhando a alcunha de “O Voador”.

Em setembro de 1724 foge de Lisboa adoptando o nome falso de Miguel Santos, pois tinha sido denunciado ao Tribunal do Santo Ofício como apóstata judaizante, devido à sua amizade com cristãos novos brasileiros vigiados pelo Santo Ofício. Após dois meses em fuga, doente com febre, morreu em 18 de Novembro, no Hospital da Misericórdia, em Toledo, Espanha, aos 38 anos de idade, na mais completa miséria.

Fonte: Instituto dos Arquivos Nacionais da Torre de Tombo

August 29, 2006

Estes olhos que matam....


Em 1999, Bette Davis foi considerada, pelo American Film Institute, a segunda melhor atriz de todos os tempos. Li isso no site oficial dela. A minha surpresa foi descobrir que a primeira melhor atriz de todos os tempos é Katherine Hepburn. Surpresa, porque eu amo as duas e descobrir que são consideradas as melhores foi refrescante.



August 28, 2006

Katharine Hepburn "Madwoman Of Chaillot" 1969


August 27, 2006

My list of unforgettable movies - meus filmes inesquecíveis

Não, eu não fiz esta lista agora não porque eu tenho outras coisas mais úteis p/ fazer na vida!! .... mas fiz um Ctl+ c e um Ctl+ v numa listinha que fiz no curso de comunicação do prof. Charles Perraton (muito bom!) sobre filmes. Mas é evidente que eu não assisti todos estes filmes num curso só... alguns, assisti quando criança (Nosferatu, Couraçado Potemkim, Metropolis, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Menino dos Cabelos Verdes, Ladrão de Bicicletas, etc...) e a maioria eu já tinha assistido no passar dos anos (alguns filmes dos anos 40, 50 e 60 que passavam na "Sessão da Tarde", lembram? ou nos sábados à noite em "Première Mundial"...). Mas, enfim, o curso do professor Perraton foi muito bom, e nesta época tive que fazer a tal lista dos melhores filmes que já tinha visto e de outros que eu deveria assistir. Enquanto ia assistindo alguns, muitos deles iam sendo retirados da lista e é claro, acrescentados uns outros tantos.

Bom, o resultado final foi esta lista aí; os que estão em escuro, são mais inesquecíveis do que os outros inesquecíveis...

Kobayashi, por seu trabalho em Kwaidan, e Carl Dreyer, pelo conjunto de sua obra cinematográfica, estão, na minha humilde opinião, encabeçando esta listinha. O primeiro eu descobri graças à um vizinho que era bombeiro e amante de cinema (um dia, depois de uma conversa na escada do apartamento dele, ele veio bater a porta da minha casa e insistir p/ que eu visse este filme inesquecível); Dreyer, eu descobri numa noite de insônia e não deixei nunca mais de procurar seus trabalhos. Mas Andrei Tarkovsky, sobretudo por Andrey Rublyov que eu descobri no defunto Ouimetoscope da rua Sainte Catherine, merece mon très grand respect.

Descobri Maya Deren através de um estudante, lindo, sensível e talentuoso, em Artes que tinha vindo de Sarjevo e que estava ficando louco; a última vez que o vi, ele já estava completamente louco!


  • Leaves from Satan’s Book (1919), d. Carl Theodor Dreyer
    Nosferatu (1922), d. F.W. Murnau
    Mikaël (1924), d. Carl Theodor Dreyer
    Master Of The House (1925), d. Carl Theodor Dreyer
    Strike (1925), d. Sergei Eisenstein
    The Gold Rush (1925), d. Charles Chaplin
    Battleship Potemkin (1925), d. Sergei Eisenstein
    Metropolis (1927), d. Fritz Lang
    The Passion of Joan of Arc (1928), d. Carl Theodor Dreyer
    Vampyr (1931), d. Carl Theodor Dreyer
    City Lights (1931), d. Charles Chaplin
    Queen Christina (1933), d. Rouben Mamoulian
    L'Atalante (1934), d. Jean Vigo
    Modern Times (1936), d. Charles Chaplin
    Une Partie à la Campagne (1936), d. Jean Renoir
    La Grande Illusion (1937), d. Jean Renoir
    La Bete Humaine (1938), d. Jean Renoir
    Wuthering Heights (1939), d. William Wyler

    Rebecca (1940), d. Alfred Hitchcock
    Citizen Kane (1941), d. Orson Welles
    Day of Wrath (1943), Carl Theodor Dreyer
    Meshes of the Afternoon (1943), d. Maya Deren
    La Belle et la Bête (1946), d. Jean Cocteau
    The Postman Always Rings Twice (1946), d. John Garfield
    The Boy with Green Hair (1948), d. Joseph Losey
    Rope (1948)., d.
    Alfred Hitchcock
    The Bicycle Thief (1948), d. Vittorio DeSica
    Diary of a Country Priest (1950), d. Robert Bresson
    All About Eve (1950), d. Joseph L. Mankiewicz
    Sunset Boulevard (1950), d. billy Wider
    A Streetcar Named Desire (1951), d. Elia Kazan
    Rashomon (1951), d. Akira Kurosawa
    Seven Samurai (1954), d. Akira Kurosawa
    Ordet (The Word) (1954), d. Carl Theodor Dreyer
    The Night of the Hunter (1955), d. Charles Laughton
    Les Diaboliques (1955), d. Henri-Georges Clouzot
    The Seventh Seal (1957), d. Ingmar Bergman
    Wild Strawberries (1957), d. Ingmar Bergman
    The Very Eye of Night (1958), d. Maya Deren
    Vertigo (1958), d. Alfred Hitchcock
    The Brothers Karamazov (1958), d. Richard Brooks
    Orfeu Negro (1959), d. Marcel Camus
    A Bout de Souffle (1959), d. Jean-Luc Godard
    La Dolce Vita (1960), d. Federico Fellini
    Psycho (1960), d. Alfred Hitchcock
    Rocco e i suoi fratelli (1960), d. Luchino Visconti
    Viridiana (1961), d. Luis Bunuel
    Eve (1962), d. Joseph Losey
    To Kill a Mockingbird (1962), d. Robert Mulligan
    What Ever Happened to Baby Jane ? (1962), d. Robert Aldrich
    The Servant (1963), d. Joseph Losey
    Il Gattopardo (1963), Luchino Visconti
    Kwaidan (1964), d. Masaki Kobayashi
    Il Vangelo secondo Matteo (1964), d. Pier Paolo Pasolini
    Marnie (1964) , d. Alfred Hitchcock
    Hush... Hush, Sweet Charlotte (1964), d. Robert Aldrich
    Gertrud (1965), d. Carl Theodor Dreyer
    Repulsion (1965), d. Roman Polanski
    Belle de Jour (1967), d. Luis Bunuel
    Rosemary's Baby (1968),d. Roman Polanski
    Teorema (1968), d. Pasolini
    Andrey Rublyov (1969), d. Andrei Tarkovsky
    The Madwoman of Chaillot (1969), d. Bryan Forbes
    The Beguiled (1971), d. Don Siegel
    The Go-Between (1971), d. Joseph Losey.
    Il Decameron (1971), d. Pasolini
    Morte a Venezia (1971), d. Luchino Visconti
    The Godfather (1972), d. Francis Ford Coppola
    Aguirre: The Wrath of God (1972), d. Werner Herzog
    Amarcord (1973), d. Federico Fellini
    The Godfather - Part II (1974), d. Francis Ford Coppola
    Il Casanova (1976), d. Fellini
    Novecento (1976), d. Bernardo Bertolucci
    The Shining (1980), d. Stanley Kubrick
    Pink Floyd The Wall (1982), d. Alan parker
    Blade Runner (1982), d. Ridley Scott
    Birdy (1984), d. Alan parker
    Ran (1985), d. Akira Kurosawa
    A Chinese Ghost Story (1987), d. Siu-Tung Ching
    Angel Heart (1987), d. Alan Parker
    The Navigator (1988), d. Vincent Ward
    Dante's Inferno (1989), d. Tom Phillips, Peter Greenaway
    The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover (1989), d. Peter Greenaway

    Bethune: The Making of a Hero (1990), d. Phillip Borsos
    Fresa y Chocolate (1990), d.Tomás Gutiérrez Alea, Juan Carlos Tabío
    A Chinese Ghost Story II (1990), d. Siu-Tung Ching
    A Chinese Ghost Story III (1991), d. Siu-Tung Ching
    Prospero's Books (1991), d. Peter Greenaway

    The Piano (1993) , d. Jane Campion
    The Bride with White Hair (1993), d. Ronny Yu Yan-Tai
    The Pillow Book (1996), d. Peter Greenaway
    Twin Falls Idaho (1999), d. Michael Polish
    The Sixth Sense (1999), d. M. Night Shyamalan
    Unbreakable (2000), d. M. Night Shyamalan
    Songs From the Second Floor (2000), d. Roy Andersson
    In the Mood for Love (2000), d. Wong Kar Wai
    Spider (2002), d. David Cronemberg
    Le Silence de la mer (2004), d. Pierre Boutron





    K.
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August 23, 2006

Fotos dos dois Jacks: London e Kerouac

Anjos perdidos: livros, Jack Kerouac, Jack London e outros


Antes de Kerouac, eu tinha descoberto Jack London.

Durante algum tempo, eu venerei Jack London. Comecei lendo ele na biblioteca de Barra Mansa, aquela salinha raquítica que eu já tinha revirado de ponta à rabo mas que era tão pobremente insuficiente p/ a minha sede... Depois venerei ele durante algum tempo, na minha adolescência quando fui atrás de seus livros na biblioteca da AMAN (ahahaha... a biblioteca da AMAN era muito boa mesmo!) e li tudo que me caiu nas mãos. Sempre achei que Kerouac fosse herdeiro de London e inclusive, eles são fisicamente parecidos em algumas fotos - incrível! É desta imagem que me recordo num dos livros de London da minha adolescência: ele em cima de um barco, escrevendo, roupas de couro, cabelos ao vento-.
De London, me vem a memória de Kipling e James Joyce. Com eles, tranquilamente, vieram vindo os outros mais.

Um dia o Ricardo me apareceu lá em casa com o "On the Road" embaixo do braço p/ presente. Porquê? Não me lembro. Talvez porque eu vivia viajando e fazendo planos p/ futuras viagens, querendo saber o que existia do outro lado do muro, com uma sede e vontade de dizer 'sim' à tudo. Não sei. Amador de cinema, foi também Ricardo quem me apresentou à obra de Fassbinder no tempo que só tinha Fassbinder no Instituto Goethe. E ele me explicava tudo. Eu tinha 18 anos e aquilo tudo era tão encantador, novo, sedutor e profundo que me senti irremediavelmente subjulgada pelo mundo descrito no "On the Road" à ponto de começar à encontrar pela frente na minha vida algumas figuras parecidas sair direto de lá. Encontrei em Porto Alegre um digno herdeiro dos Beat, que fazia parte dos que se chamavam Darks na época e se vestiam com aquelas roupas negras e elegantes de Berlim, louros e bonitos, com os sapatos grandes de pontas quadradas que eu só encontraria em Montreal alguns anos depois....

Mas a Beat Generation me deixou um gosto inesquecível dos The Subterraneans na boca e na mente. Eu amei este livro e quando cheguei em Montreal, ele estava no fundo do meu pensamento, sobretudo quando eu observava aquele pessoal jovem que se instalava na estação do metrô de Santa Maria -a mesma desilusão... e mais ainda, tinha o jazz, tinha o inverno frio e as noites nebulosas através da cidade sonolenta de neve-. E eles tinham a minha idade. E eu era mais jovem do que Jack Kerouac quando ele, bêbado do amor de uma deusa cigana negra, escreveu este livro em 1958; é totalmente uma obra sobre o amor, descrevendo uma relação que foi sendo detalhada intimamente desde a descoberta do início e as surpresas do fim que ia se anunciando. O título do livro ficou sendo Os Subterrâneos graças à Allen Ginsberg, que descrevia os personagens, reais, do romance nestes termos:…"They are hip without being slick, they are intelligent without being corny, they are intellectual as hell and know all about Pound without being pretentious or talking too much about it, they are very quiet, they are very Christlike[…] ".

Uma pequena pausa: a primeira vez que ouvi o nome Kerouac em francês, eu estava no Cheval Blanc com a turma do François, todos amantes de jazz, e não entendi que Jo estava falando de um dos meus escritores preferidos simplesmente porque como boa brasileira, eu repetia a pronúncia errada dos anglófonos que têm um sotaque horrível quando falam francês. Não que eu seja excelente em francês, mas realmente existe uma grande diferença nas duas pronúncias. Mas geralmente, os anglófonos que sabem que é um nome francês e mesmo se não falam a língua, procuram a pronúncia mais perto possível da original. A gente diz o nome exatamente assim, devagar e em 4 sílabas, a última sendo mais rápida do que a penúltima: ke-rru-aaa-ki.
Isso tudo porque muita gente não sabia ou preferiam ignorar achando que fosse um simples detalhe -ao menos no Brasil na época em que eu morava lá e lia os livros em português e nunca li referência à sua origem- que a família de Kerouac veio do Québec, eram canadenses franceses. Ele se chamava Jean Louis Lebris de Kerouac.
Embora eu não seja conhecedora profunda da obra de Kerouac, acho que todos os que são deveriam vir aqui p/ observar o comportamento social p/ poder entender as raízes desta pequena comunidade francófona de Lowell na época. Não entrarei demais no assunto, mas eu poderia quase jurar que no sangue da família Kerouac, como no sangue da maioria dos canadenses de origem francesa, tem sangue índio. Sem falar que aqui mesmo nos deparamos frequentemente com muitos tipos físicos parecidos com os de Kerouac (os canadenses franceses têm esta característica de serem bonitos, muito bonitos mesmos com estes profundos olhos azuis de lobos de mar - descendência gaulesa obriga). Inclusive com os olhos em amêndoas (como minha filha e o pai dela), característicos dos indígenas embora eles sejam de raça branca. Acho que a personalidade de Kerouac e sua necessidade de verdade, espiritualidade e liberdade, é em grande parte devedora destes antepassados autóctones.

E depois? bom, à partir de Kerouac, cheguei à John Fante e "Arturo Bandini", Ginsberg, William Burroughs, Antonin Artaud, Andre Breton, poetas obscuros japoneses antiquíssimos, Rimbaud, Baudelaire, Jean Genet, Keats... -eu já amava Byron- e Percy Shelley, alguns poemas de Walt Whitman e os contos de Edgar Allan Poe, e outros, muitos outros... Isso só aumentou a minha fome.

Mas a figura central e que foi a base p/ a existência do movimento Beat, inspirador de obras marquantes na literatura através da pluma de John Clellon Holmes, Jack Kerouac, Allen Ginsberg e muitos outros, foi Neal Cassady, sem o qual o movimento Beat jamais existiria. Seu estilo espontâneo de escrita nas trocas de correspondência com os amigos, inspirou Kerouac à inventar a noção de prosa espontânea.

Bonito, selvagem, olhar cândido de uma alma sofrida, Neal Cassady foi educado por um pai alcoólatra em hotéis de beira de estrada e vagões de trem. Tendo vivido grande parte de sua juventude em escolas reformatórias e prisões, ele desenvolveu instintos suaves de um ilusionista na pele de um ladrão de carros com uma habilidade original para seduzir pessoas através da sua enorme fome de amor e de vida, e pelo temperamento tão angelical quanto demoníaco. Mas um demoníaco profundo, silencioso, espiritual, atormentado e sedutor. Como pode-se ser tudo isso ao mesmo tempo é a base do enígma Neil Cassaday. Para Kerouac, ele era um anjo perdido.

Diziam que ele nunca tinha tempo de escrever nada porque estava ocupado demais em viver. Relacionando-se com várias mulheres e tendo alguns filhos, Cassaday viveu uma relação "oficial" e um pouco mais duradoura com Carolyn, que também foi durante um curto período de tempo amante de Kerouac formando os três um menage à trois tão atormentado quanto obscuro.

Encontrado desmaiado ao lado das trilhas de trem uma manhã e levado às pressas ao hospital em estado de coma, Neil Cassaday morreria algumas horas mais tarde, em 1968. Kerouac viria à morrer um ano depois.


"He was simply a youth tremendously excited with life, and though he was a con-man, he was only conning because he wanted so much to live and to get involved with people who would otherwise pay no attention to him. He was conning me and I knew it, and he knew I knew (this was the basis of our relationship)." --- On the Road, pg. 4

"Have you ever seen anyone like Cody Pomeray?-- a young guy with a bony face that looks like it's been pressed against metal bars to get that dogged look of suffering... who walks as fast as he can go on the balls of his feet, talking excitedly and gesticulating... There are some young men you look at who seem completely safe, maybe just because of a Scandanavian ski sweater, angelic, saved; on Cody Pomeray it immediately becomes a dirty stolen sweater worn in wild sweats." --- Visions of Cody, pg. 48



K.
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August 22, 2006

Por isso eu vou p/ a Califórnia... ou p/ Markham

Tá bom, estou esperando alguém me ligar no skype e ao mesmo tempo assistindo um documentário sobre o The Edible Schoolyard de Berkeley na Califórnia, e tive que escrever este post porque o laptop está aqui no meu colo e eu estou achando este documentário incrivelmente interessante à ponto de sonhar com a vida em Berkeley, a linda e poética Berkeley dos Beats de Jack Kerouac, antepassados da geração hyppie e dos Darks. Enfim, a Berkeley das idéias revolucionárias e deste programa que ensina aos estudantes do nível ginasial à compreender os diferentes ciclos dos alimentos desde o plantio até o preparo da comida, fornecendo p/ os sortudos, um verdadeiro jardim orgânico e uma cozinha toda equipada como sala de aula.
Respeitando princípios de ecologia, os estudantes aprendem como plantar, colher e preparar os produtos de cada estação, aprendem o valor nutritivo de cada alimento junto com diferentes receitas e a importância de não se usar produtos químicos, etc.. Pelo o que vejo, as experiências na cozinha e no jardim promovem uma melhor compreensão de como o mundo natural nos sustenta... e fico eu aqui sonhando, querendo ir p/ a Califórnia porque lá as coisas dão certo, sonho, e porque eles têm grama como as casas de Markham que eu fico namorando....
me ligaram....



K.
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