
Hoje foi um daqueles dias nos quais me transporta um certo furor creativo. Passei a tarde escrevendo, colocando em dia minha série de contos, que já são dez, e cujo tema é o ciclo das águas. Além do mais, eu fiquei felicíssima em dar de cara com o trabalho de
Robert & Shana ParkeHarrison que por uma coincidência éclatante descrevem, através de seu trabalho fotográfico, um mundo que se mostra nos meus sonhos e na minha imaginação depois de muito tempo.
A figura central, do meu sonho, é um homem prisioneiro de um universo apocalíptico, situação terrível mas que não deixa de ser poética, pois descreve sua solitude e seu desespero em procurar uma saída, mas ele permanece consciente de tudo, sobretudo do seu poder, e o que anima sua alma é uma consciência profunda da sua importância como ser humano. Ele sabe. E este saber é o mais importante no contexto. Através dele eu também sei, mas não consigo descrever em palavras o objeto deste saber, e mesmo este universo é muito difícil de ser descrito pois aí existem coisas, conceitos que desconheço no nosso mundo e das quais não existem palavras p/ descrevê-los. Enquanto observo-o no meu sonho, sinto com uma emoção profunda os mesmos sentimentos que ele sente, quando ele toca nos objetos, sinto as texturas dos mesmos, sinto seus dedos tocando-os, vejo o seu passado, as suas lembranças, as suas esperas.
Ora, foi justamente a sensação deste universo, a marca que ele me deixa, que eu percebi nas fotografias dos ParkeHarrison. Em todo caso, eles misturam realidade e imaginação num universo destruído pela ameaça tecnológica, e o ser humano, como nos mitos de Prometeus e Orféu, à mercê dos deuses longínquos.
Para saber mais sobre os artistasK.S.
WINGS – WRITING, FLYING AND HUEVOS REVUELTOS
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