Writing, Flying and Huevos Revueltos

September 20, 2005

Documentários

Assisti um documentário muito triste sobre a condição humana. O mesmo conta como um grupo de jovens soldados canadenses ficaram prisioneiros dos japoneses por 4 anos durante a Segunda Guerra Mundial. Eles nunca foram p/ o campo de batalha, já foram enviados p/ Hong Kong, como uma armadilha. A descrição do que viveram é de uma tristeza infinita, abusos de toda sorte diariamente e durante os quatro anos. Existem fotos e filmes deste período, eles parecem esqueletos vivos de tão magros, e assim mesmo apanhavam p/ trabalhar em minas no japão. Foram concretamente escravizados pelo Japão Imperial e a grande maioria morreu por causa dos maltratos; os que voltaram vivos, vieram cheios de doenças físicas e mentais. E o pior é que quando voltaram, foram tratados com desprezo pelo Exército Canadense pelo fato de terem sido prisioneiros durante quase todo o período de guerra!

Outro documentário muito bom mesmo é um que se chama em francês "Les petits cavalier de Joaquim" (360° - Le reportage GEO), literalmente, "Os Pequenos Cavalheiros de Joaquim". Tudo se passa numa fazenda, a Barreiro, na cidade de ITAMBACURI em Minas Gerais. O dono da fazenda, seu Joaquim, abriga meninos da favela com um ótimo programa de re-socialização das crianças, porque os meninos que vêm até ele são os casos mais sérios, com uma história de violência e abusos de toda sorte. Além de ir à escola e ordenhar vacas, cada menino recebe um cavalo que ele deverá cuidar e com o qual irá aprender malabarismos p/ apresentações equestres organizadas nas fazendas dos arredores. O contato com os animais é imprescindível para que o jovem posso reaprender à ter confiança em outro ser, e também desenvolver uma relação respeituosa, porque todo o aprentizado é feito sem usar violência contra os animais, sempre previlegiando a compreensão e a paciência. Seu Joaquim e sua esposa trabalham com o professor e com os meninos mais velhos e outros já homens feitos que estão lá há mais tempo. Hoje, já adultos, eles trabalham na fazenda e nos arredores e muitos têm família e consideram seu Joaquim como parte de suas famílias. Seu Joaquim, que com 72 anos de idade tem a doença de Parkinson, já recebeu mais de 100 meninos na fazenda, e conseguiu ajudar à todos.

September 17, 2005

Missa no Harlem

Amanhã é o batizado do filho de um amigo do maridão, polonês e tão católico quanto o papa. Aí, o maridão chegou em casa dizendo que fomos convidados para a missa e a recepção. Eu logo fui dizendo, em estado de quase choque : - ...mas não sou de missa!

O negócio é que, embore goste muito de igrejas, gosto só para sentar, rezar, meditar, pensar na vida simplesmente, deixar passar o tempo, ou mesmo ficar observando os outros. Enfim, para mim, entrar em igreja é para aproveitar o silêncio do local. Mas também gosto do aspecto teatral de toda a ritualística católica, como por exemplo: chegar no pórtico e, dobrando minimamente um dos joelhos com grâça e elegância, fazer o sinal da cruz e quando sair do recinto, sair de costas fazendo outra vez o Padre Nosso. Isso para mim é o máximo do esplendor!

Finalmente, o que eu gosto mesmo é da intimidade com Deus.

Mas embora não goste de missas nem reuniões religiosas, existe uma exceção: as missas do domingo de Páscoa no Harlem, em Nova Yorque. A última vez que entrei numa igreja p/ assistir missa foi porque estava curiosa p/ conhecer o verdadeiro Godspell. E tudo começou assim: o maridão chega outra vez em casa todo feliz, e desta vez é porque ao invés de reservar o feriado de Páscoa num bairro elegante nos arredores de NY, segundo o combinado em família, ele tinha preferido um Bed & Breakfast no Harlem, propriedade de uma franco-canadense. O bairro, até alguns anos atrás tinha má fama, mas depois que varreram NY e o Central Park da criminalidade, as pessoas começaram a, tranquilamente, invadir o bairro por causa do potencial imobiliário, e porque é o lugar mais perto de Manhattan, que é caríssimo e difícil de encontrar vagas. A intenção dele era não só sentir de perto o espírito do Jazz, do Godspell, do Blues, ou andar pelas mesmas ruas que foram usadas pelos grandes músicos de outrora, mas também respirar o ar do ambiente para sentir o "frêmito do espírito destes grandes mestres!". Ele, se empolgando na poesia do seu próprio palavriado, e eu, inocente como sou, caí nessa ladaínha toda.

O tal do Bed & Breakfast, referência de um colega do trabalho, tinha a fama de "IN", por ser um dos raros, ou talvez único, do bairro e perto das casas de espetáculos e das famosas igrejas aonde à cada domingo, e sobretudo este porque era Páscoa, fervilhava de pessoas de todos os cantos. Embora missa, a reunião era um verdadeiro espetáculo, e os pastores, verdadeiros showsmen.

Fomos p/ NY e entramos logo no Harlem, atrás do B&B. Para começar, sou alérgica à pêlos de animais, e nem bem entrando, dei de cara com um destes gato com jeito de torchão de oficina mecânica, sujo e tão cheio de pêlos que a gente nem via os olhos do pobre coitado (escrevendo isso, eu até pareço ser uma daquelas chatas de nariz empinado, mas juro que não). Imediatamente, fomos ciceroneados por um rapazinho, bonito e muito gentil (gosto muito dos americanos porque, pelo menos os que conheço ou conheci, são generosos, educados, inteligentes, curiosos, com um ótimo senso de humor e sempre prontos p/ festejar) que era a pessoa que fazia tudo no local, desde carregar malas até concertar portas quebradas. O prêdio era um sonho, no que se refere à arquitetura histórica, pois antiquíssimo, ainda do tempo em que o bairro era habitado por ricos comerciantes holandeses. O negócio é que eles estavam recuperando o edifício, que devia ter sido desabitado por muito tempo, e o resultado foi que eu tinha que tomar meu banho num banheiro minúsculo (imagino que antigamente, os banheiros eram fora das casas, e aquele espaço deve ter sido um armário na planta original...), com a menor banheira que vi na minha vida, suja, com um cano quebrado sevindo de chuveiro, cheio de buracos e a privada não tinha nem tampa. O quarto era grande, e como o banheiro, parecia que tinha sobrevivido à um furação.

O pior é que era tarde demais p/ reservar em outro lugar, pois a cidade estava lotada de turistas e mesmo em Manhatan, nos hotéis caros e –íssimos, não conseguimos vaga. E para completar o quadro, acordei no dia seguinte com minha orelha esquerda inchada, quer dizer, mais do que inchada. Ela tinha crescido três vezes mais do que o tamanho normal! Eu nunca tinha visto um orelhão daqueles e fiquei preocupadíssima porque a orelha só ia crescendo, coçava muito mas não doía felizmente, mas ia despelando toda. Uma coisa incrível!

Quando comecei a conjecturar sobre a possibilidade de ter sido um rato que passou em cima de mim durante a noite, fiquei mais preocupada ainda, mas logo que saímos para a rua, acabei deixando este fato de lado p/ aproveitar o momento porque, embora tenha chovido e as ruas estivessem molhadas, o dia estava muito bonito e os habitantes do Harlem sempre corteses. Foi muito bom mesmo. A missa, ou melhor, as missas porque assistimos três (é claro que não ficamos durante todo o serviço), são verdadeiros espetáculos de improvisação, e estão entre as experiências inesquecíveis que já assisti, não só por causa dos corais, mas do próprio público que participava e sobretudo dos pastores e dos auxiliares destes que dançavam, gritavam, cantavam, riam um dos outros, entravam em êxtase; era uma mistura de teatro e de festa.

Não me recordo mais de quantos dias ficamos, mas não foi muito porque depois de conhecer bem o bairro, passear bastante nos arredores, nós resolvemos pegar a estrada e voltar p/ Montréal antes do tempo porque não dava p/ passar várias noites no tal lugar. NY estava vazia e chuvosa.

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September 16, 2005

O Espírito Desperto - p/ dividir com os outros

Segundo a filosofia do Buda, a percepção que temos do mundo é uma ilusão. Temos um véu que encobre nosso espírito e que nos impede de ver a realidade tal como ela é realmente. Para sabermos exatamente como é esta realidade, nós temos que dissipar este véu, pois ele é como uma névoa. E a única forma de fazê-lo é observando o funcionamento de nosso próprio mental e do espírito, o que deve ser feito atrávés de uma contínua viagem à interior de nós mesmos.

Este véu nos faz viver na ignorância de sua natureza ilusória. A única forma de nos liberarmos desta ignorância é compreendendo corretamente os mecanismos da mente. E só a pureza mental pode nos ajudar a ter esta compreensão.

Mas o que é a pureza mental? É não causar sofrimento à nenhum ser através de pensamentos, palavras ou gestos, entre outras coisas, porque cada vez que o fazemos, nosso mental fica agitado. É como é muito difícil de observar tranquilamente o que se passa no nosso interior com o mental agitado, nós deveríamos fazer um esforço p/ não cometer tais atos.

É claro, não podemos esperar obter a pureza mental p/ depois observarmo-nos. Devemos começar a nous observar, isto é, meditar. Devemos começar esta observação e com o tempo, conseguiremos desenvolver o esforço suficiente p/ que o mental fique de mais em mais calmo.

Observar-se é meditar. No começo é muito difícil meditar mas se insistirmos, com o tempo, o próprio fato de se auto-observar através da meditação nos ajuda a não ter reações que irão perturbar nosso mental. Uma coisa leva à outra.

Mas, atenção, uma pessoa que procura a pureza mental não deve ser passiva, ao contrário, ela deve procurar ser totalmente desperta, ativa, consciente de tudo. Ela não deve "suportar" a existência, mas participar desta existência. Ela só não deve procurar fazer gestos que irão causar o sofrimento alheio se tais gestos forem p/ alimentar seu próprio ego. Mas ela deve se defender e impedir que outros causem o mal, a si mesma ou a terceiros (estando consciente que não existe uma intenção negativa no seu ato). Enfim, um meditante deve ser ativo, alerta e profundo.

Um meditante não é um legume de passividade, ele pode explodir e gritar, se esta é a linguagem que o outro compreende e se a cólera não faz parte deste ato. O importante é estar consciente, se observando e fazendo o esforço de não causar sofrimentos.

......Só Deus sabe como é difícil..... oh dor......... mas está ao alcance de todos.

É evidente que saber tudo isso intelectualmente não significa ser capaz de obter estas qualidades imediatamente. Mas ajuda no esforço. Como dizem, de grão em grão a galinha enche o papo.

La nature éveillée de l'esprit

Dans la philosophie du Bouddha, le monde tel que nous le percevons c'est une illusion et c'est à l'intérieur de nous-mêmes que nous devons chercher la vrai nature de ce que nous entoure. Il appele d'éveil la capacité à voir les choses comme elles sont réellement. Cette capacité est déjà en chacun de nous, mais nous l'ignorons. Il nous appartient de dissiper les voiles qui obscurcissent notre esprit. Il n'y a rien à trouver qui ne soit déjà en nous – la nature éveillée de l'esprit – et pour cela il faut dissoudre le voile avec l'aide de la méditation.

September 15, 2005

An Image Bank for Everyday Revolutionary Life:

September 14, 2005

Les belles images - Art Memory - Verger

Without time to write, I let you some beautiful images by Pierre Verger

Les belles images - Art Memory - Verger II

Meninos no Rio Vermelho, Salvador, 1939 - Pierre Verger

Notícias de uma amiga querida

Que maravilha, hoje eu tive notícias de uma amiga muito querida que tinha perdido de vista. Só p/ dizer que estou muito feliz.